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O esporte como recomeço

André Fufuca e Fábio Araújo
04/04/2026 | 09:52
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O Brasil já provou ao mundo sua força no paradesporto. Nas últimas edições dos Jogos Paralímpicos, consolidamos nosso lugar entre as grandes potências, com recordes, medalhas e novos talentos surgindo a cada ciclo. Esse é um patrimônio do país. Mas, se por um lado o alto rendimento avança, por outro, ainda buscamos consolidar o esporte como ferramenta de reabilitação.

Essa diferença revela um espaço que precisa ser ocupado por meio de política pública estruturada, com planejamento e ação coordenada. É preciso levar o esporte para dentro dos Centros Especializados em Reabilitação do SUS e conectá-lo às entidades de prática paradesportiva. Não se trata apenas de formar atletas de alto rendimento, mas de garantir o acesso ao esporte como ferramenta de saúde, autonomia e cidadania.

Foi com esse compromisso que demos um passo importante. O Ministério do Esporte lançou, neste mês, o Programa Vencer pelo Esporte, estruturando uma política capaz de integrar cuidado, inclusão e desenvolvimento esportivo. Firmamos acordo que permite a atuação direta do Ministério do Esporte no Contrato de Gestão do MEC (Ministério da Educação) com o Instituto Santos Dumont. Na prática, o esporte passa a integrar a Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência do SUS, em ação conjunta entre Educação, Saúde e Esporte. É uma mudança de paradigma.

O Brasil conta hoje com 342 Centros Especializados de Reabilitação, distribuídos por todas as regiões. Trata-se de uma infraestrutura robusta. No entanto, apenas cerca de 12% dessas unidades utilizam o esporte de forma estruturada. O dado revela a dimensão da oportunidade e a urgência de agir.

O Acordo de Cooperação Técnica entre os ministérios do Esporte e da Saúde fortalece o cuidado intersetorial e amplia o uso do esporte e da atividade física na reabilitação, inclusive para pessoas com TEA. A iniciativa inclui formação de profissionais, produção de conhecimento, definição de indicadores e apoio a programas já existentes.

A partir de agora, Esporte, Saúde e Educação atuam de forma integrada, com o Instituto Santos Dumont como polo de formação, inovação e acompanhamento. Não se trata mais de discurso, mas de política pública com impacto direto na vida das pessoas.

Quando o esporte entra na reabilitação, transforma não apenas indicadores de saúde, mas trajetórias e percepções. Esse é o Brasil que queremos: um país que reconhece o esporte como ferramenta de inclusão, dignidade e oportunidade. Temos condições de avançar. E começamos. Porque o esporte, no Brasil, não é apenas competição. É também recomeço.

André Fufuca é ministro do Esporte e Fábio Araújo é secretário nacional do Paradesporto.




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