Diarinho Titulo Dia dos Povos Indígenas

De São Bernardo à Pernambuco, garota cresce conectada às tradições dos Pankararu

No Dia dos Povos Indígenas, história de Sarah Liz mostra como culturas indígenas são preservadas na região

Fabio Junior
Especial para o Diário
19/04/2026 | 09:50
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No bairro dos Casa, em São Bernardo, a rotina da pequena Sarah Liz de Souza Santos, 6 anos, inclui aprendizados que vão além da escola. Filha de Kilvane de Souza Santos, 38, ela cresce em contato com a cultura do povo Pankararu, que tem como aldeia-mãe a Brejo dos Padres, em Pernambuco, destino visitado anualmente pela família. “É lá que eu vejo meus primos e meus parentes. Eu gosto de dançar com a minha família. Quando todo mundo fica junto, eu me sinto alegre”, conta a garotinha. 

Entre as atividades de que ela participa está o toré, uma dança tradicional indígena. A atividade reúne canto e movimento em roda, com os participantes marcando o ritmo com batidas dos pés no chão. Para os Pankararu, o toré é também um momento de conexão com os antepassados e de união entre as pessoas. Em 19 de abril, é celebrado o Dia dos Povos Indígenas.

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Kilvane acompanha de perto esse aprendizado. Além de mãe, ela é uma das lideranças Pankararu em São Paulo e atua como conselheira municipal dos Povos Indígenas na Capital. Para ela, manter viva a cultura no meio da cidade é um desafio e uma missão.

“Ser indígena não está só no território. Está na forma como a gente vive, no que a gente ensina para as crianças e nas práticas que a gente mantém no dia a dia, mesmo vivendo na cidade. É algo que carregamos o tempo todo. É a gente”, explica a mãe de Sarah.

Mesmo fora de Pernambuco, a família mantém laços com a comunidade. Além das viagens para a aldeia de origem, a família se reúne mensalmente com outros Pankararu na Zona Leste de São Paulo, no bairro de Sapopemba, em encontros que seguem os rituais tradicionais.

Para Sarah, esses encontros são momentos muito especiais. “Gosto porque há outras crianças, a gente dança junto e sempre aprende coisas novas. Eu acho legal porque todo mundo participa”, diz.

Kilvane destaca que esses espaços são importantes para que as crianças cresçam reconhecendo suas origens. “É muito importante que elas se vejam como indígenas, que tenham orgulho disso e que entendam que pertencem a um povo com história”, afirma.

Ela também chama atenção para certos rótulos que ainda existem. “Muita gente acha que indígena só vive em aldeia, que está longe das cidades ou que faz parte do passado. Mas nós estamos em todos os lugares, estudando, trabalhando e fazendo parte de tudo isso”, conta.

O Dia dos Povos Indígenas é uma chance para lembrar da presença indígena em todo o País. No Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem mais de 300 povos indígenas diferentes, que vivem em aldeias ou em cidades.

RESPEITO

Aliás, você já ouviu alguém usar a palavra “índio”? Antigamente, esse termo era muito comum, mas hoje sabemos que ele não representa bem os povos indígenas.

A palavra surgiu há muitos anos, quando os portugueses chegaram ao Brasil e acharam, por engano, que estavam nas Índias. Por isso, passaram a chamar os povos que já viviam aqui de “índios”. Mas esse nome não mostra as diferenças entre cada povo, como os Pankararu, Guarani, Yanomami, e muitos outros que vivem pelo País.

Por isso, o mais correto é dizer “povos indígenas”, “povos originários” ou “pessoas indígenas”. Assim, reconhecemos que existem muitos povos diferentes, cada um com sua própria cultura, língua e história.

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