Sabores & Saberes
ARTE: Fernandes

Entre os embates instagramáveis, no centro de um deles, está um suplemento alimentar conhecido por todos, ou ao menos com um nome que não causa estranheza: whey protein.
Este produto é a proteína extraída do soro do leite durante a produção de queijos, reconhecida por seu alto valor biológico, pois contém todos os aminoácidos essenciais, aqueles que nosso organismo não é capaz de produzir e que são obtidos apenas pela ingestão alimentar.
Há consenso entre seus adeptos de que a proporção de 70% a 80% de proteína do soro do leite por dose e a menor quantidade possível de aditivos são atributos fundamentais para o seu nível de qualidade.
O debate concentra-se no fato de que esses aminoácidos estão presentes em inúmeros alimentos de refeições balanceadas, o que não justificaria seu consumo por meio de um suplemento industrializado, comumente associado a outros elementos químicos questionáveis sob a ótica da segurança alimentar.
Críticos argumentam que o corpo humano evoluiu para processar alimentos complexos, que possuem, em sua composição, uma matriz nutricional rica em vitaminas, minerais e fibras que nenhuma substância processada consegue replicar.
Existe outro direcionamento opinativo ao se avaliar a biodisponibilidade, dado que o maior valor biológico do soro do leite aumenta a proporção de aminoácidos absorvidos e efetivamente retidos pelo organismo, em comparação às fontes sólidas.
Ainda desse lado da trincheira, cabe observar que a velocidade de digestão atua como um diferencial técnico em cenários de recuperação muscular imediata e na prevenção do catabolismo, pois, enquanto outras fontes proteicas, como a carne, demandam horas para serem processadas e disponibilizarem aminoácidos na corrente sanguínea, o whey protein é digerido e absorvido em poucos minutos.
Em uma conclusão parcimoniosa, é possível sugerir que, para um atleta de alto rendimento, cujas necessidades proteicas são altíssimas, o whey pode ser uma ferramenta extremamente útil, enquanto, para um indivíduo sedentário ou envolvido em treinos leves, é indiscutivelmente dispensável.
Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.
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