Mais gestão, menos polarização Titulo Mais Gestão, menos polarização

Fim da escala 6x1: como deve ser!

Paulo Serra
26/04/2026 | 11:59
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Fernandes Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O debate sobre o fim da escala 6x1, seis dias de trabalho para um de descanso, voltou à pauta com força. Não é por acaso. Em um mundo que discute produtividade, saúde mental e qualidade de vida, repensar modelos tradicionais de jornada deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade.

Mas, como quase tudo no Brasil, o tema corre o risco de cair na armadilha da polarização. De um lado, quem defende a mudança imediata, como solução para melhorar a vida do trabalhador. De outro, quem enxerga a proposta como inviável economicamente. A verdade, como quase sempre, exige mais gestão e menos discurso.

É fato que a escala 6x1 impacta diretamente a qualidade de vida. Menos tempo com a família, menos horas para lazer, descanso e qualificação. Em setores mais operacionais, isso se traduz em desgaste físico e mental, aumento de afastamentos e, muitas vezes, queda de produtividade. Não por acaso, países desenvolvidos vêm testando e implementando jornadas reduzidas, como semanas de quatro dias ou cargas horárias mais flexíveis.

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Os resultados dessas experiências têm sido, em muitos casos, positivos: aumento de produtividade, maior engajamento dos trabalhadores e melhora nos indicadores de bem-estar. A lógica é simples: um profissional mais descansado e motivado produz mais e melhor.

Por outro lado, é preciso reconhecer os desafios. Nem todos os setores conseguem fazer essa transição com facilidade. Comércio, serviços essenciais, indústria e logística dependem de operação contínua. Reduzir a jornada sem planejamento pode significar aumento de custos, pressão sobre pequenos e médios empresários e, no limite, perda de empregos.

É aqui que entra o ponto central: gestão.

A discussão não pode ser ideológica, precisa ser técnica. Não se trata de simplesmente acabar com a escala 6x1 por decreto, mas de criar condições para que a economia absorva mudanças desse tipo sem gerar desequilíbrios.

E uma dessas condições passa, necessariamente, pela política econômica. Hoje, o Brasil convive com taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito, travam investimentos e limitam o crescimento das 

empresas. Com menos investimento, há menos inovação, menos ganho de produtividade e menos espaço para mudanças estruturais como a redução da jornada.

Se o governo federal fizer a sua parte com responsabilidade fiscal, controle de gastos e políticas que permitam a redução consistente dos juros, o ambiente econômico muda. Empresas investem mais, modernizam processos, incorporam tecnologia e aumentam sua eficiência. E é justamente esse ganho de produtividade que pode viabilizar jornadas menores sem perda de renda.

Ou seja, qualidade de vida e crescimento econômico não são opostos. Pelo contrário: caminham juntos quando há planejamento.

Reduzir a jornada pode significar mais tempo para a família, mais saúde, mais equilíbrio. Mas também pode representar uma economia mais dinâmica, com trabalhadores mais produtivos e empresas mais competitivas.

O Brasil precisa entrar nesse debate com maturidade. Nem com soluções mágicas, nem com resistência automática. Precisamos olhar para o que o mundo está fazendo, adaptar à nossa realidade e, principalmente, criar as condições para que mudanças aconteçam de forma sustentável.

No fim das contas, a pergunta é simples e poderosa:

Você acha que trabalhar menos dias pode significar viver melhor e produzir mais?

Ou acredita que, na realidade brasileira de hoje, isso ainda não é possível?

Esse é um debate que vale a pena fazer. Com responsabilidade, com dados e, acima de tudo, com foco na vida real das pessoas.




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