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Inteligência artificial não substitui terapia, alerta especialista

Embora ajudem em tarefas do dia a dia, chatbots podem gerar falsa sensação de acolhimento e não devem ocupar o lugar do acompanhamento psicológico

13/05/2026 | 13:20
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O crescimento acelerado da inteligência artificial tem transformado significativamente a forma como as pessoas buscam apoio emocional, companhia e aconselhamento psicológico. Em um cenário marcado pelo aumento da solidão, ansiedade, dificuldade de socialização, sobrecarga emocional e busca por respostas imediatas, conversar com chatbots parece mais fácil do que procurar ajuda profissional.

Segundo o psicólogo Paulo Zago Neto, é preocupante substituir relações humanas e acompanhamento profissional, por uma interação artificial. Existe um risco real de isolamento social e principalmente agravamento de quadros psicológicos, quando as respostas automatizadas são interpretadas como diagnósticos psicológicos ou orientações terapêuticas confiáveis.

Uma inteligência artificial pode cometer equívocos severos ao interpretar sintomas, validar pensamentos prejudiciais ou minimizar situações graves.

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“Apesar da evolução e sofisticação tecnológica, os chatbots não possuem capacidade clínica para avaliar contextos emocionais complexos ou entender o sofrimento humano. Diversos fatores influenciam sua utilização, mas considero como principais o imediatismo e a ausência de julgamentos, pois diferente das relações interpessoais, oferecem respostas instantâneas e uma falsa sensação de compreensão absoluta, elementos que podem favorecer vínculos emocionais intensos e até dependência psicológica. Muitas pessoas podem desenvolver vínculos afetivos profundos com a tecnologia, criando relações de dependência emocional semelhantes às construídas com seres humanos”, diz Neto Zago.

Embora os chatbots possam funcionar como ferramentas complementares de organização, informação ou apoio momentâneo, o especialista defende que eles jamais devem substituir o acompanhamento psicológico real. O cuidado com a saúde mental precisa continuar sendo humano. A tecnologia pode auxiliar, mas não pode ocupar o lugar da escuta terapêutica e da construção emocional promovida por um profissional capacitado.

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