Foco Conheça a trajetória do executivo que deu os primeiros passos na hotelaria e tornou-se cofundador e diretor de agência de viagens
FOTO: Divulgação

Mineiro, de Belo Horizonte, Luiz Moura tem 36 anos e começou a carreira trabalhando como mensageiro em um hotel de luxo. Por lá, recebia hóspedes e carregava malas. Anos depois, participou da criação da agência digital de viagens corporativas Voll, que teve faturamento acima de R$ 1,5 bilhão em 2025. número 50% maior do que no ano anterior, quando faturou R$ 1 bi.
Esse é o resumo da história de Moura que, hoje, ocupa posição estratégica em uma das empresas que mais crescem no setor de viagens corporativas da América Latina. Cofundador e CBO (chief business officer) da Voll - agência de viagens corporativas brasileira que digitalizou a gestão de despesas - Moura é também membro do Conselho de Turismo da Fecomércio de São Paulo e do ALAGEV (Conselho Executivo da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas). Mas a trajetória que o trouxe até aqui começou muito antes das mesas de decisões.
A história por completo
O ponto de virada aconteceu na adolescência, durante sua primeira viagem internacional. Moura foi à Califórnia, cursar o ensino médio. Ao visitar uma amiga da família - executiva da Coca-Cola -, ele descobriu que era possível construir uma carreira viajando pelo mundo.
"Perguntei quantos países ela já tinha conhecido no trabalho. Ela respondeu: 'É mais fácil dizer quais eu não conheci'. Naquele momento pensei: é isso que quero fazer", relembra Moura. De volta a Belo Horizonte, decidiu cursar Relações Públicas (a mesma da referida amiga) e, para pagar a faculdade, trabalhou durante quatro anos em um hotel de luxo da cidade.
Como mensageiro, Moura foi além de carregar malas. Afinal, naquelle cenário, entendeu melhor os bastidores do turismo. E, consequentemente, se encantou.
É tanto que o sonho de viajar foi além. Tempos depois, o adolescente queria, também, trabalhar no setor. Quando se formou na faculdade, já havia assumido desafios maiores, liderando projetos prioritários para o hotel, cabe pontuar.
O início da carreira
Sua primeira experiência na área de formação veio em uma pequena agência de comunicação, fundada por uma professora da faculdade, e com uma estrutura enxuta. Eram apenas quatro pessoas. A convivência direta com a gestão do negócio acabou se tornando uma escola prática de empreendedorismo. "Ela (a professora/chefe) fazia tudo, desde o atendimento até o planejamento e o financeiro. Aquilo me mostrou o que significa construir uma empresa do zero", pontua Moura.
A entrada definitiva no setor de turismo corporativo aconteceu quando assumiu uma vaga de assistente de eventos na BTM Corporate, agência especializada em viagens empresariais. "Cheguei com muita determinação e subi quatro cargos em apenas seis meses, passando por diferentes áreas e ajudando, inclusive, a criar novas áreas, como a de Comunicação e a de Qualidade", relata.
Depois de quatro anos, no entanto, Moura percebeu um limite estrutural no modelo da empresa. Afinal, a operação era essencialmente local e pouco escalável. Para ele, o futuro do setor passaria inevitavelmente por tecnologia e digitalização.
O nascimento da empresa
Em 2017, recebeu um convite inesperado dos sócios da BTM. A ideia era, a princípio, criar um novo projeto, desta vez baseado em tecnologia. A proposta era fundar, na época, uma startup que pudesse digitalizar a gestão de mobilidade corporativa. "Eu sabia que não queria recomeçar uma história com a mesma trilha sonora. Eu queria tudo novo", relembra. E assim nasceu a Voll, com tecnologia própria e sob a liderança de Moura nas áreas de cultura, operações e experiência do cliente.
Moura lembra que os primeiros meses da Voll foram desafiadores. A primeira sede era uma pequena sala, sem muita infraestrutura. No entanto, poucos anos depois, a empresa se transformou em uma das maiores plataformas de viagens corporativas da América Latina. Hoje, grandes companhias utilizam a solução da Voll, entre elas Itaú, Nubank, XP, Riachuelo e iFood. A empresa mantém escritórios em São Paulo e Minas Gerais e já emprega mais de 600 pessoas. Hoje, inclusive, Moura reside na Capital.
Metas
Após investimento histórico no setor da Warburg Pincus (Estados Unidos), no valor de R$ 700 milhões, e com o avanço da inteligência artificial na plataforma, o executivo acredita que a Voll está entrando em uma nova fase e que será reconhecida globalmente nos próximos anos.
Afinal, com toda a história, Moura realizou seu sonho, de viajar o mundo? Ainda não, mas já são 20 países no currículo. Para ele, a sensação de viajar continua acontecendo todos os dias. "Quando você cria uma empresa que movimenta pessoas pelo mundo, é como se estivesse viajando junto com cada uma delas", conclui.
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