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Resorts deixam de vender hospedagem e miram na experiência

Estabelecimentos deixam de depender apenas do destino e passam a gerar demanda própria por meio de eventos, gastronomia e recreação

Vagner Aquino
19/05/2026 | 18:04
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O crescimento do turismo doméstico e a consolidação das viagens de curta duração vêm mudando a lógica de operação dos resorts no Brasil. Mais do que oferecer hospedagem, empreendimentos do setor passaram a estruturar experiências completas dentro da própria operação, com impacto direto na ocupação, no ticket médio e na previsibilidade de receita.

De acordo com dados do Ministério do Turismo, mais de 60% das viagens realizadas por brasileiros são feitas dentro do próprio estado ou em destinos próximos, movimento que se intensificou nos últimos anos e reforçou o chamado turismo de proximidade. Ao mesmo tempo, levantamentos do setor indicam que o viajante passou a valorizar cada vez mais experiências completas, priorizando destinos que concentrem lazer, gastronomia e entretenimento no mesmo local.

Nesse cenário, resorts que conseguem gerar demanda própria — sem depender exclusivamente da atratividade do destino — vêm ganhando vantagem competitiva. Um exemplo desse modelo pode ser observado na operação do Santíssimo Resort, em Tiradentes (MG), que estruturou sua estratégia a partir da integração entre lazer familiar, eventos, gastronomia e programação contínua.

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Hoje, o empreendimento opera com taxa média de ocupação em torno de 60% - com meta de atingir 70% - sustentada por um mix que combina público de lazer e outras frentes de receita. "Quando o resort passa a construir a experiência dentro da operação, ele deixa de depender só do destino. A gente começa a gerar fluxo próprio e a ter mais previsibilidade de ocupação", afirma Lúcio Barbosa, diretor-geral do Santíssimo Resort.


Evento deixa de ser apoio e passa a gerar demanda

Dentro desse modelo, eventos deixaram de ser ativação pontual para assumir papel estratégico. Na unidade de Tiradentes, iniciativas proprietárias como o Planeta Tiradentes, que reúne milhares de pessoas em apresentações musicais, e o Caminhos de Fogo, voltado à gastronomia, passaram a funcionar como indutores de fluxo, ampliando a ocupação inclusive fora dos períodos tradicionais de alta temporada.

Esse tipo de estratégia responde a um dos principais desafios do setor: reduzir a sazonalidade e equilibrar a operação ao longo do ano. Sem contar que a gastronomia também vem ocupando lugar importante neste movimento. De serviço complementar, ela passa a atuar como elemento central da experiência e do posicionamento do produto.

Esse comportamento acompanha uma tendência mais ampla do turismo. De acordo com levantamento da Booking.com, mais de 70% dos viajantes brasileiros afirmam buscar experiências gastronômicas como parte essencial da viagem, o que reforça o potencial desse ativo na decisão de compra.

Aliado a isso, a programação estruturada — com recreação, atividades e eventos — contribui para aumentar o tempo de permanência e o valor percebido da diária. Nesse sentido, a combinação entre diferentes perfis de público também se torna estratégica.

No Interior

O fortalecimento do turismo de proximidade também tem impulsionado investimentos fora dos grandes centros. Regiões com boa acessibilidade rodoviária e proximidade de polos econômicos, como a Região Metropolitana de Campinas, passaram a concentrar novos projetos, especialmente aqueles capazes de oferecer experiência completa sem depender da infraestrutura urbana das capitais.

É nesse contexto que o modelo desenvolvido em Tiradentes passa a orientar a expansão do Santíssimo Resort para São Paulo. A nova unidade, em implantação em Santo Antônio de Posse, terá 104 apartamentos na primeira fase, capacidade para mais de 500 hóspedes simultaneamente e projeção de expansão gradual para até 1.000 unidades ao longo dos próximos anos. A expectativa é atingir cerca de 50% de ocupação já no primeiro ano de operação, apoiada na estratégia de lazer familiar, eventos e diversificação de público.


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