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Falcatruas à vista

Rodolfo de Souza
21/05/2026 | 09:17
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ARTE: Gilmar
ARTE: Gilmar Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Tenho acompanhado, ultimamente, alguns canais de notícias elaborados e conduzidos por gente séria que analisa e traz elucidações a respeito de fatos que acontecem no mundo, tratados como geopolítica, e também do que ocorre aqui em solo tupinambá. E, para ser sincero, não sei se fico mais apreensivo com o que vejo lá fora, em países que apreciam sobremaneira uma peleja, ou se só os acontecimentos domésticos já são suficientes para me tirar o sono.

Aqui, algo de muito sinistro foi revelado recentemente, e as atenções se voltaram para ele, deixando de lado os conflitos internacionais. Imagine! 

O fato diz respeito a um tal pré-candidato, cuja voz, bem nítida, num áudio bem claro, chegou ao conhecimento do público. O áudio, afinal, foi jogado no ventilador por um veículo de comunicação que o descobriu. Jornalismo investigativo, diga-se de passagem, é isso: procura, analisa, pesquisa, corre atrás e, quando menos se espera, aparece com uma descoberta de arrepiar os cabelos. E o que se ouve na gravação nada mais é do que o pré-candidato em questão extorquindo dinheiro, muita grana mesmo, de um ex-banqueiro, bandido que só vendo, especialista em meter a mão em bufunfa alheia, peixe dos mais graúdos que, segundo se espera, vai abrir o bico e entregar todos aqueles que se beneficiaram com a roubalheira, tendo em vista que este já ocupa uma confortável cela que, com toda a certeza há de liberar a sua língua para que fale tudo o que tem guardado no peito. Logicamente que o pré-candidato está agora todo arrepiado só de pensar.

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O mesmo que, tão logo soube, se enrolou todo. Disse e desdisse muitas coisas relacionadas à gravação que passou a pesar algumas toneladas sobre os ombros de alguém que almeja conquistar o cargo mais importante do país. Na verdade, o sujeito foi atropelado por jornalistas de duas grandes redes de televisão. E, claro, não teve como se safar. Quanto mais falava, mais se enrolava. E não lhe restou escapatória, senão mentir, se contradizer e tentar jogar nas costas de outros os erros cometidos por ele mesmo.

Tudo indica, inclusive, que há uma teia de mercenários envolvidos com o movimento desse dinheiro que viajou daqui para as terras de tio Sam. Há, pelo que se sabe, muitas digitais em cada cédula dessa dinheirama. Trata-se, afinal, de uma quadrilha que subestimou os olhares da polícia federal e da imprensa verdadeira. Talvez tivesse imaginado que esta mesma polícia fosse míope como era a do governo anterior. 

Um sem fim de nomes, pois, surgem a cada dia: um para gerir isso, outro para gerir aquilo. Sem falar das empresas fantasmas no meio do negócio, uma forma de confundir e não permitir que se rastreie o dindim roubado. 

Foi dito, inclusive, pelo pré-candidato que esse dinheiro veio para financiar um filme mequetrefe sobre a vida de papai, e que não é justo acusá-lo de ter se apropriado de grana ilícita, com a nítida intenção de envolvê-lo numa falcatrua que nunca existiu. Segundo ele, tudo fora feito dentro da legalidade. Só não explicou, o sujeito, qual a razão de um filminho como aquele ter custado mais do dobro do valor de filmes premiados.

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com




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