Crise recorrente Documento a que ‘Diário’ teve acesso revela preocupações da empresa em várias frentes
Relatório da CVC mostra endividamento e queda de ações (FOTO: Claudinei Plaza 27/12/23)

A situação financeira da CVC Corp, que entre janeiro e março obteve o pior resultado trimestral em seis períodos consecutivos, ligou o sinal de alerta na cúpula da empresa, que tem sede em Santo André. Documento interno obtido com exclusividade pelo Diário mostra que companhia apresentou piora em cinco diferentes eixos. Na prática, está mais endividada, com maiores gastos, reduziu número de lojas e tem queda no valor das ações na bolsa.
Nos três primeiros meses deste ano, a CVC registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões, enquanto o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a R$ 93,7 milhões, baixa de 10,5% na comparação com o mesmo período de 2025. Os números foram reportados pela empresa no dia 13 de maio.
A CVC então elaborou uma Análise Crítica dos resultados, que foi gerada na última terça-feira. O documento detalha os dados, compara com trimestres anteriores e principalmente, aponta cinco áreas nas quais a situação se agravou.
O primeiro deles diz respeito ao endividamento líquido. No qual cita que a dívida líquida saltou R$ 140 milhões em um único trimestre, fechando março de 2026 em R$ 241,8 milhões – alta de 137% sobre o fim de 2025. “O salto não decorre de investimento estratégico ou M&A (processo de aquisição, fusão ou aliança); deriva diretamente do consumo de caixa operacional do trimestre. Em outras palavras, a empresa está aumentando dívida para sustentar operação, não para crescer”, aponta o relatório.
O segundo se refere a Ebtida e Margem. “É a primeira vez em vários trimestres que a CVC apresenta deterioração de margem combinada com receita praticamente estagnada, sinal de que o problema não é apenas volume, mas também mix e disciplina de custos”.
O terceiro ponto é o Consumo de Caixa. “O ponto mais crítico do trimestre”, segundo o documento. “O consumo de caixa operacional saltou de R$ 53,2 milhões no 1T25 (1º trimestre de 2025) para R$ 121,6 milhões no 1T26 – aumento de 128,6%. Em apenas três meses, a companhia queimou caixa equivalente a mais de um trimestre de Ebitda ajustado do próprio período. Esse foi o gatilho central para a forte queda da ação”.
O quarto item se refere a Operação e Rede, e detalha o fechamento líquido de 12 lojas no período (15 fechadas e três abertas), o que reduziu de 1.408 para 1.396 unidades da rede. “Pequeno em termos absolutos, mas relevante como sinal direcional: a rede deixou de crescer e começou a contrair”, analisa.
O último diz respeito a Mercado e Cotação. “Reação imediata e violenta. A ação chegou a cair 17,37% no intradia do pregão pós-balanço, fechando com baixa de 11,27% a R$ 1,89 – pior desempenho da B3 no dia e menor cotação em seis meses”, relata o documento, que ainda cita reações dos bancos Santander, Itaú BBA e BTG Pactual.
A CVC foi procurada na quarta-feira e até ontem não havia se posicionado.
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