Editorial A controvérsia envolvendo declaração atribuída ao presidente Almir Rogério da Silva expõe método de pressão que representa grave distorção do papel do SindSaúde (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde) do município de Diadema. A reivindicação por direitos é legítima. Entretanto, qualquer mobilização que tenha como consequência prejudicar campanhas de imunização desloca o conflito a um terreno inaceitável. Crianças não podem ser transformadas em instrumentos de disputa. Quando a vacinação passa a ser utilizada como elemento de confronto, o interesse coletivo perde espaço para estratégia que ameaça comprometer políticas sanitárias construídas ao longo de décadas.
Os efeitos potenciais de uma paralisação ou desestímulo à participação em ações de imunização ultrapassam os limites razoáveis. Sindicalistas deveriam saber que a redução da cobertura vacinal favorece o retorno de doenças controladas e amplia riscos epidemio-lógicos. Além disso, a tentativa de atribuir previamente a responsabilidade política por eventuais prejuízos à população contribui para ampliar a tensão social. O direito de greve encontra proteção constitucional, mas serviços relacionados à saúde exigem cautela redobrada, justamente por envolverem interesses difusos e proteção da coletividade. A defesa de reivindicações não autoriza iniciativas capazes de afetar diretamente a prevenção de doenças.
É preciso apurar se houve incitação deliberada ao boicote de campanha pública ou estímulo ao descumprimento de deveres funcionais, com a eventual aplicação de sanções. Em episódio dessa natureza, a responsabilização deve alcançar quem tiver participado ou incentivado a conduta, sempre com respeito ao devido processo legal. Se confirmadas as interpretações apresentadas pelos críticos da atuação sindical, estar-se-ia diante de comportamento temerário, imprudente, insensível e incompatível com a relevância social das atividades exercidas pelos profissionais da saúde. A sociedade tem o direito de exigir esclarecimentos completos, apuração rigorosa e preservação das campanhas de vacinação. LEIA TAMBÉM:
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