Saúde mental também precisa fazer parte da vida dos alunos
Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada oito pessoas no mundo vive com algum transtorno mental
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A entrada na escola ou na universidade representa uma nova etapa na vida de crianças e jovens, marcada por mudanças, cobranças e desafios que vão além da rotina acadêmica. A adaptação ao ambiente, o volume de disciplinas, as avaliações e até acontecimentos pessoais podem contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas de saúde mental entre os estudantes de todas as idades.
Psiquiatra e professor do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Sérgio Baldassin, 68 anos, destaca que o período reúne diferentes fatores de pressão. Segundo ele, que é membro da Associação Médica Brasileira, o aluno deixa um dia a dia conhecido e passa a lidar com outra realidade, com provas e conteúdos em sequência. “É um período em que podem ocorrer problemas pessoais, além de mudanças. As matérias são mais pesadas, as provas ocorrem uma após a outra. Eu acho que as avaliações não deveriam ser punitivas, mas ter um caráter mais humano e dar um retorno para esse aluno”, comentou Baldassin.
Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada oito pessoas no mundo vive com algum transtorno mental. Entre os problemas está a ansiedade, que atinge cerca de 58 milhões de crianças e adolescentes, além da depressão, que alcança aproximadamente 23 milhões.
Para o profissional, o jeito como professores e instituições lidam com os alunos também pode interferir diretamente no bem-estar emocional. O especialista afirma que essa relação dentro da sala de aula pode se refletir no aprendizado e que os docentes precisam ainda estar atentos à própria saúde. “Quando o professor não está legal, seja por um problema de saúde física, emocional ou porque ele está desatualizado, o estresse do aluno aumenta três vezes e diminui em até três a capacidade de entender o conteúdo aplicado”, disse.
Ele também ressalta que a saúde emocional deve ser entendida como parte da formação profissional, mas preparar um estudante para o mercado de trabalho não significa apenas transmitir conhecimento técnico; é desenvolver recursos para lidar com os problemas que surgirão ao longo da vida. “É o que chamamos de saúde e inteligência emocional. Isso precisa fazer parte desse aluno que está em formação”, falou.
Baldassin ainda defende que o cuidado com a saúde deve envolver hábitos cotidianos, como sono adequado, atividade física, alimentação equilibrada e momentos de lazer. Segundo ele, essas práticas fazem parte do autocuidado e podem contribuir para o equilíbrio durante a formação.
A atenção aos sinais também deve partir dos professores, familiares e colegas. Mudanças de comportamento, queda no rendimento, isolamento e dificuldades persistentes podem indicar que o estudante precisa de ajuda. Reconhecer essas situações e oferecer acolhimento são passos importantes para que a saúde mental deixe de ser tratada como um problema secundário dentro do ambiente de ensino.
LEIA MAIS:
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.
Santo André 15° C
Rio Grande da Serra 14° C
