IA e telas desafiam ensino nas escolas do Grande ABC
No País, 25% dos alunos relataram que seus colegas frequentemente se distraem com o uso de dispositivos digitais
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A presença de recursos digitais no cotidiano dos estudantes tem ampliado o debate sobre os limites e as possibilidades da tecnologia na educação. Inteligência artificial, celulares, tablets e plataformas digitais já fazem parte da rotina de crianças e adolescentes, mas especialistas defendem que a utilização desses recursos precisa estar ligada aos objetivos pedagógicos e não substituir experiências como leitura, escrita, interação presencial e desenvolvimento do raciocínio.
Dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mostram que a tecnologia já ocupa espaço relevante na rotina escolar brasileira. No País, 25% dos alunos relataram que seus colegas frequentemente se distraem com o uso de dispositivos digitais durante a maioria ou durante todas as aulas de Ciências. Os estudantes que acusaram dispersão nas aulas obtiveram 19 pontos a menos do que aqueles que não comunicaram falta de concentração.
Os números mostram que o desafio para as escolas não está apenas em decidir se os recursos digitais devem ou não fazer parte das aulas, mas em estabelecer como e quando eles podem contribuir para a aprendizagem. Para Andréa Riva Fanton, assessora pedagógica do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, a tecnologia pode ampliar o acesso à informação e diversificar as formas de aprendizagem. “Uma aula não se torna inovadora porque utiliza um tablet, uma plataforma ou uma inteligência artificial. Ela se torna pedagogicamente relevante quando esses recursos ajudam o aluno a compreender melhor, investigar, produzir, relacionar conhecimentos e assumir uma posição mais ativa diante da aprendizagem.”
No Colégio Engenheiro Salvador Arena, em São Bernardo, a tecnologia também é utilizada de maneira planejada. A diretora escolar Cristina Favaron Tugas explica que a instituição não trabalha com uma lógica de restrição, mas de uso intencional. “A tecnologia é incorporada às atividades quando contribui efetivamente para o processo de aprendizagem, sem substituir experiências presenciais, interação entre os alunos, atividades práticas, leitura, escrita e desenvolvimento do raciocínio.”
No Colégio Arbos, a inteligência artificial é tratada como ferramenta que pode ampliar o aprendizado, desde que o estudante permaneça ativo no processo. Para Luciana de Vitta, diretora da unidade de Santo André, um dos principais riscos está no uso da tecnologia antes mesmo de o aluno tentar desenvolver o próprio raciocínio. “O risco aparece quando o estudante começa a recorrer à IA antes de pensar. Se, diante de uma pergunta, ele imediatamente pede uma resposta pronta; se solicita um resumo sem ter lido o texto; se produz uma redação sem elaborar argumentos; ou resolve um problema sem percorrer as etapas de raciocínio, ocorre uma espécie de terceirização cognitiva.”
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