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Diploma universitário aparece em 66% das candidaturas do Grande ABC

Perfil dos candidatos muda pouco em relação a 2022, mas permanece muito acima da escolaridade média da população

Felipe Delmondes
Especial para o Diário
26/09/2026 | 05:22
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FOTO: Reprodução  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A disputa pelas vagas de deputado estadual e federal, senador e presidente da República nas eleições de 2026 expõe um perfil de escolaridade concentrado entre os candidatos do Grande ABC. Levantamento realizado com base nos nomes lançados pelos partidos mostra que 66,6% dos 129 candidatos avaliados possuem ensino superior completo. O percentual é próximo ao observado na eleição geral de 2022 e mantém a formação universitária como característica predominante entre os postulantes da região. 

A comparação entre os pleitos mostra pouca alteração no perfil educacional. Em 2022, dos 105 candidatos lançados na região, 71,4% – ou 75 nomes – tinham ensino superior completo, queda de 6,7% em relação a este ano. Já entre os postulantes de 2026, 16,2% possuem ensino médio completo, ante 15,2% registrados quatro anos antes – alta de um ponto percentual.

Os números dos candidatos contrastam com os dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o levantamento, 25% da população do Estado de São Paulo e 18,4% dos brasileiros possuem ensino superior completo. Entre os candidatos de 2026 analisados, aqueles com ensino médio incompleto ou apenas ensino fundamental completo representam menos de 8% do total.

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Além disso, a análise dos dados por raça e gênero aponta que a predominância da formação superior entre os candidatos é acompanhada por uma concentração do perfil dos postulantes. A maioria das candidaturas com diploma universitário na região é formada por pessoas autodeclaradas brancas (94 ) e do gênero masculino (87), indicando uma menor presença de outros grupos entre os candidatos com maior nível de escolaridade.

Para Gustavo Monea, economista e professor de Economia e Finanças na Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), a preferência dos partidos por postulantes mais instruídos não é um fenômeno exclusivo do Brasil. O especialista cita que essa mesma lógica é aplicada até mesmo nos Estados Unidos, onde pesquisas demonstram que candidatos com maior escolaridade tendem a atrair mais votos.

Segundo o professor, a atual estrutura eleitoral atua como um funil rigoroso. “A cláusula de barreira cria um incentivo institucional para que as legendas distribuam e aloquem seus recursos em candidaturas com maior viabilidade eleitoral, tratando cada nome de forma estratégica, como um investimento”, explica Monea. “Diante disso, os partidos passam a priorizar candidatos que possuem ensino superior completo, criando uma mudança no perfil tanto a nível regional como nacional.” 

O especialista complementa que a sofisticação das campanhas modernas e a complexidade do debate legislativo também pressionam as legendas a buscar quadros técnicos capazes de sustentar discursos elaborados nos meios digitais e em sabatinas.

O diagnóstico do especialista marca uma alteração significativa em relação à trajetória do Grande ABC. Historicamente, a região despontou no cenário político nacional como o berço do novo sindicalismo, elegendo lideranças operárias diretamente do chão de fábrica, muitas vezes sem formação acadêmica formal.

Monea também aponta que as evidências sugerem uma correlação positiva. “É difícil afirmar com certeza. No entanto, estudos analisando mais de mil líderes políticos no período de 1875 a 2004 demonstraram que nações lideradas por pessoas com maior nível de escolaridade tendem a apresentar um crescimento econômico superior”, destaca o economista. “Por mais que não seja uma regra direta, a exigência do eleitorado tem respaldo com os achados sobre o tema.”

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