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Escola ensina sobre importância de voto e cidadania a alunos

Em Santo André, projeto do Colégio Xingu mostra que a conscientização é disciplina que pode ser exercitada na sala de aula

Julio Lima
Especial para o Diário
04/10/2026 | 06:44
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DGABC FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Mesmo muitos anos antes de chegar às urnas eletrônicas, as crianças já podem aprender que escolher alguém para representá-las exige atenção, responsabilidade e respeito.

No Colégio Xingu, em Santo André, a ideia é colocar esses conceitos em prática no ambiente escolar, onde os estudantes participam de votações, elegem quem falará em nome da turma e discutem o significado de suas escolhas.

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Raul Toledo, 12 anos, e Giovanna Tressoldi, 11, moram em Santo André, são alunos do Xingu e confirmam a visão da escola. Os dois já participaram de eleições para representantes de turma e entendem que o voto não serve apenas para escolher alguém de quem gostam, mas para confiar a uma pessoa a tarefa de defender os interesses de um grupo, assim como nas eleições “adultas”. “É uma responsabilidade muito importante para a pessoa e para nós, estudantes, porque a gente representa a escola”, explica Raul.

Na escola, a votação ocorre de maneira semelhante a uma pequena eleição. Os estudantes escolhem um menino e uma menina para representar a turma. Os votos são escritos em papéis e entregues ao professor, que faz a contagem. Para Giovanna, o voto secreto também é importante para que ninguém se sinta constrangido por escolher alguém entre os colegas.

Mais do que aprender como funciona uma votação, os estudantes são estimulados a pensar no que esperam de quem será escolhido. Raul acredita que um representante deve ajudar a resolver problemas da escola. Giovanna vai além e argumenta que o eleito não precisa ter as mesmas opiniões dos colegas, mas deve trabalhar pelo bem da comunidade.

A experiência faz parte de um aprendizado maior na escola. De 21 a 25 de setembro, o colégio realizou o projeto Educação para o Voto e Cidadania, que utilizou livros e jornais adequados a diferentes faixas etárias para discutir democracia, participação social, direitos, deveres e respeito à diversidade de ideias.

A proposta não é apresentar partidos ou candidatos às crianças. O objetivo é fazer com que elas reflitam sobre o que significa votar, participar da sociedade e conhecer diferentes situações antes de tomar uma decisão que causa impacto coletivo.

Para Giovanna, esse preparo pode fazer diferença quando chegar a hora de votar nas eleições do País. Ela conta que observar o processo e entender o que os eleitos fazem ajuda a chegar mais preparada ao momento de escolher. 

No Brasil, o voto pode ser exercido a partir dos 16 anos. Até os 18, é facultativo; a partir dessa idade, torna-se obrigatório até que o eleitor atinja 70 anos, quando deixa novamente de ser obrigatório.

A escola, porém, não espera que os alunos cheguem a uma opinião única. Há espaço para divergência. Nas rodas de conversa, depois das leituras, eles são convidados a fazer perguntas, apresentar suas impressões e relacionar as histórias com situações do cotidiano.

É nesse exercício que a votação deixa de ser apenas uma contagem de nomes e passa a ser uma oportunidade para aprender a conviver, além de contribuir para melhorar País, Estado e cidade. 

Raul resume a lição democrática que já começa a fazer parte da rotina escolar: cada pessoa pode e deve ter sua própria opinião, desde que saiba respeitar a dos outros.




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