O resultado do primeiro turno das eleições, realizado no domingo, surpreendeu muita gente, inclusive os políticos, mas não deveria. A totalização das urnas impôs uma dura realidade a dinastias políticas e caciques tradicionais – no Brasil em geral, e no Grande ABC em particular. Nomes que outrora pareciam inabaláveis viram suas bases ruírem diante de um eleitorado que, de forma inequívoca, optou por passar o bastão. Contudo, para quem acompanha de perto os bastidores e o pulsar do País, e das sete cidades, o desfecho do pleito está longe de ser um sobressalto. O colapso das velhas dinâmicas de conquista do voto se tornou o desfecho de um longo e anunciado processo de esgotamento.
O desalento de quem não se sente representado se reflete diretamente na abstenção, que, no domingo, atingiu o índice histórico de 22,5% do eleitorado no Estado de São Paulo. O expressivo número de eleitores que simplesmente abriram mão de votar, preferindo a ausência ou o voto nulo e branco, é o jeito encontrado por parcela significativa da população para protestar contra um sistema que parece governar apenas para si mesmo. A derrocada de nomes tradicionais, inclusive no Grande ABC, é um aviso. A classe política precisa entender que o eleitor não aceita mais ser mero figurante de rituais democráticos. O recado foi dado, e ignorá-lo pavimentará o caminho para o ostracismo definitivo.
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