A gambiarra da Artesp

08/10/2026 | 07:21
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Causou estupefação no Grande ABC a informação divulgada pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) de que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos pode assumir a conclusão do projeto de implementação do BRT-ABC caso seja declarada a caducidade do contrato do Estado com a Next Mobilidade por atraso. Pergunta-se: qual a experiência da CPTM com ônibus? Constituída em 1992, a estatal, até onde se sabe, dedicou-se desde então aos negócios de mobilidade sobre trilhos, desconhecendo-se seu know-how na área de ônibus de alta velocidade, exatamente o caso do modal que se encontra no centro do debate regional.

A tentativa de transferir um empreendimento de mobilidade urbana de tal magnitude para os cuidados de uma empresa estranha ao segmento e acreditar que ela tenha condições de concluir o projeto em tempo menor que concorrente especializada no assunto é monstro de Frankenstein que assusta especialistas em transporte. Ouvido por este Diário, por exemplo, o professor Creso Peixoto, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), expõe dúvidas pertinentes sobre a solução da Artesp, entre as quais se destaca uma, definitiva: quantas obras similares às do BRT-ABC a CPTM tem em sua carteira? É evidente que o expert fez pergunta retórica, já que sabe muito bem a resposta: nenhuma!

Conhecido pelos critérios técnicos que utiliza na tomada de decisão, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não pode permitir tamanho absurdo. Até porque, se a companhia ferroviária fosse eficiente e moderna, o chefe do Executivo paulista não teria transferido a operação de praticamente todas as suas linhas para a iniciativa privada. Ora, se o próprio governo julga que a estatal não possui capacidade de gerir os trens, finalidade para a qual foi criada, por que teria de administrar ônibus, atividade alheia ao seu escopo? Não há resposta plausível à pergunta. A CPTM não tem condições de assumir o BRT-ABC. A região não vai admitir que a Artesp faça gambiarra para resolver assunto tão sério.

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