Casos de câncer de mama e colo do útero caem 56% no Grande ABC
Após alta em 2025, número de diagnósticos diminui de 491 para 216; campanha Outubro Rosa estimula a descoberta precoce da doença
FOTO: Denis Maciel/DGABC

O número de diagnósticos de câncer de mama e do colo do útero caiu 56% no Grande ABC, de acordo com dados levantados no DataSUS, plataforma do Ministério da Saúde. Foram 216 casos de janeiro a julho de 2026, contra 491 no mesmo período do ano anterior. A queda ocorre após forte crescimento registrado em 2025. Nos primeiros sete meses de 2024, as sete cidades haviam contabilizado 192 casos.
A redução não representa, necessariamente, uma diminuição da incidência das doenças, mas dos diagnósticos, que são primordiais para um melhor resultado do tratamento, de acordo com o oncologista João Glasberg. “Uma em cada oito mulheres vai ter câncer de mama e, em fases iniciais, podemos chegar a 90% de cura”, ressalta.
Por isso, a campanha Outubro Rosa alerta para a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero. Em estágio inicial, a doença não tem sintomas, aponta Glasberg. A mamografia é o principal exame para o reconhecimento de tumores na mama, recomendado para ser realizado anualmente em mulheres a partir dos 40 anos. Já o Papanicolau ajuda a identificar o câncer do colo do útero.
Também é importante o autoexame por meio do toque para reconhecer alguma anormalidade e buscar uma avaliação. Foi assim que Maria Inês Rupolo Bezerra, 68 anos, professora aposentada e moradora de Santo André, descobriu um tumor há dois anos. “Eu faço a mamografia anualmente e ainda não estava na época de fazer novamente. Mas, fazendo o autoexame, percebi que tinha um caroço na minha mama direita. Falei com meu filho, que é ginecologista, e procurei um mastologista, que diagnosticou o câncer como agressivo”, lembra.
O tratamento incluiu cirurgia para a remoção do carcinoma e sessões de quimioterapia e radioterapia durante cerca de quatro meses. “Não precisei tirar muito da mama. Foi um pedaço pequeno, mas ela foi preservada esteticamente. O tumor foi identificado bem precocemente e, se não fosse isso, eu teria mais complicações porque ele era do tipo agressivo”, afirma Maria Inês.
Francisca Tesser Parra Mendonça, 77 anos, aposentada e moradora de Santo André, teve câncer de mama em 1998 e, mesmo com um tumor pequeno, de dois centímetros, precisou passar por uma mastectomia total. “Na época, a medicina não era tão avançada. Atualmente o tratamento é menos agressivo e, provavelmente, não precisaria remover toda a mama”, avalia.
“Utilizei por 17 anos uma prótese fornecida pela Viva Melhor e só há dez anos fiz a cirurgia de reconstrução. Não me incomodava. O que mais me abalou foi a queda de cabelo. Não ficava sem peruca ou lenço nem em casa. Na rua não saía de jeito nenhum sem eles”, conta.
Maria Inês e Francisca atuam como voluntárias na ONG (organização não governamental) Viva Melhor, localizada em Santo André, e oferecem apoio a mulheres que enfrentam o câncer. “Estou há 27 anos lá. Realizo palestras, nas quais conto a minha história. Temos ainda rodas de conversa para levar acolhimento a quem está enfrentando a doença. A ONG também empresta perucas e doa lenços”, afirma Francisca.
CAUSAS
O câncer de mama é hereditário em apenas 10% dos casos, afirma o oncologista João Glasberg. Entretanto, todo tumor é genético porque surge a partir de alterações no DNA que fazem as células se multiplicarem sem controle. “A exposição prolongada a hormônios é um dos fatores que favorecem essa alteração para a formação do câncer”, explica o médico. Por sua vez, o câncer do colo do útero está associado à infecção pelo HPV (papilomavírus humano) em 94% dos casos. Existe vacina contra o vírus.
A garçonete desempregada Roseneia Rodrigues Belo, 58 anos, moradora de São Bernardo, perdeu uma tia para o câncer de mama, doença que também enfrentou e venceu há cinco anos. “Onde ela morava, na Bahia, não havia muitos recursos na época, mas hoje a medicina avançou e a maioria das mulheres sobrevive se começar o tratamento logo. Percebi que o bico do meu seio direito queimava muito e estava duro. Fiz a remoção de parte da mama e da axila e nunca mais voltou”, comemora.
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