As ameaças de morte sofridas pelo cartunista andreense Gilmar Machado Barbosa, que publica seus trabalhos no Diário, constituem grave atentado não apenas contra um profissional da imprensa, mas contra valores fundamentais da sociedade democrática. É preciso se insurgir contra tamanha covardia. A intimidação de profissionais que se expressam por meio do humor e da crítica revela preocupante intolerância diante do livre debate de ideias. Liberdades de imprensa e de expressão são pilares indispensáveis da democracia, ajudando a sociedade a fiscalizar o poder. Quando um jornalista, cartunista ou qualquer cidadão é agredido por suas manifestações artísticas, toda a coletividade é atingida.

Amedrontado com a situação, Gilmar expressou o desejo de abandonar a charge política. Se isso se concretizar, o obscurantismo terá vencido. Infelizmente, o silêncio imposto pelo medo constitui uma derrota para a democracia e uma vitória para o autoritarismo. O Brasil, aliás, conhece muito bem as consequências da supressão de liberdades. Na ditadura militar (1964- 1985), o País viveu período sombrio, marcado por repressão aos que ousavam manifestar opiniões contrárias ao regime. Jornais foram censurados e artistas, perseguidos. Essa página triste da história deve servir de alerta permanente contra qualquer tentativa de restringir o pensamento e intimidar vozes dissonantes.
Em uma sociedade que se pretende livre, divergências devem ser enfrentadas com argumentos, nunca com ameaças. A crítica, a sátira e o humor podem incomodar, mas são instrumentos legítimos de reflexão e questionamento. Não cabe recorrer à violência ou à intimidação para calar quem pensa diferente. Diante da gravidade do episódio, é fundamental que as autoridades investiguem, identifiquem os responsáveis e os repreendam com o rigor da lei. A impunidade, nesses casos, alimenta a sensação de que ameaçar é um meio aceitável de silenciar o outro. Proteger Gilmar é defender o direito de todos à livre manifestação. A democracia não se sustenta sem liberdade, pluralidade e respeito.