Projeto Meninos e Meninas de Rua promove almoço solidário em São Bernardo
Ação, que reuniu 50 famílias em situação de vulnerabilidade, foi realizada no Dia Mundial da Alimentação
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O PMMR (Projeto Meninos e Meninas de Rua), de São Bernardo, realizou nesta sexta-feira (16), um almoço solidário para cerca de 50 famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social no município. A iniciativa celebra o Dia Mundial da Alimentação, comemorado nesta sexta-feira (16). Instituída em 1981, a data tem como objetivo conscientizar a população sobre questões relacionadas à nutrição e à alimentação.
A ação foi realizada na sede do projeto, na Rua Jurubatuba, no Centro, em parceria com o Movimento Brasil Popular, que promoveu um ‘Marmitaço’ em 11 cozinhas solidárias da Capital, Campinas e São Bernardo. No município da região, além do PMMR, a iniciativa aconteceu na Cozinha Popular Rita Galdino, no bairro Cooperativa.
Preparado pelo chef de cozinha e professor de gastronomia, João de Andrade, 36 anos, o cardápio foi elaborado com alimentos variados, que buscaram aliar sabor, qualidade e valor nutricional. A refeição era composta por arroz, feijão, carne suína, farofa de cuscuz e legumes, como abobrinha e batata. Para a sobremesa, foram oferecidas frutas frescas, como uva, banana e tangerina.
Os alimentos foram doados pelo PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), do governo federal que compra alimentos produzidos pela agricultura familiar para doá-los a pessoas em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.
Além da oferta da refeição, a iniciativa promoveu uma roda de conversa com os participantes. Durante o encontro, foram discutidos os benefícios do consumo de alimentos in natura, bem como a importância de reduzir a ingestão de produtos ultraprocessados.
O professor João de Andrade também abordou o direito humano à alimentação adequada, destacando a importância do acesso a alimentos de qualidade, seguros e nutritivos como condição essencial para a promoção da saúde, da dignidade e da qualidade de vida.
“Apesar do DHAA (Direito Humano à Alimentação Adequada) estar contemplado no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos desde 1948, no Brasil só foi inserido entre os direitos sociais na Constituição Federal em 2010 (por meio da Emenda Constitucional nº 64). Mais do que oferecer um prato de comida, precisamos falar e entender sobre a origem dos alimentos e garantir a toda população uma alimentação saudável”, destacou Andrade.
A dona de casa, Marilza Rodrigues Sousa, 57, foi ao almoço solidário acompanhada da mãe, Ana de Freitas Rodrigues, 86, e de outros familiares. Para ela, além da comida, o encontro foi importante para conscientizar a população.“As pessoas precisam conhecer seus direitos, buscar informações e se mobilizar para garantir que todos tenham acesso a uma alimentação adequada e de qualidade. Gostaria que mais pessoas tivessem participado dessa ação, que foi tão importante para compartilhar conhecimentos e promover a conscientização. A comida estava deliciosa, saímos de barriga cheia e com a mente cheia de novas ideias e motivação para continuar lutando”, disse Marilza.
DESIGUALDADE
A coordenadora executiva do PMMR, Néia Bueno, ressaltou que o Brasil saiu do mapa da fome pela segunda vez (em julho de 2025), mas que o País ainda possui muita desigualdade social que afeta diretamente o direito à alimentação.
No Grande ABC, 15.082 moradores estão em risco de insegurança alimentar grave, de um total de 120.370 em situação de vulnerabilidade social. Segundo dados do monitoramento de 2025 do CadInsan (Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal a partir dos dados do CadÚnico), São Bernardo é a cidade da região com maior número de pessoas nessa situação, com 4.866.
“Quem não vê as pessoas com fome não sabe a importância de programas sociais de transferência de renda, doação de alimentos, entre outros. Apesar de ter melhorado, ainda tem gente vivendo com fome, principalmente a população em situação de rua”, ressaltou a coordenadora.
A cozinha solidária do PMMR distribui diariamente 50 marmitas destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social, com a expectativa de ampliar a capacidade de atendimento para 150 refeições por dia.
A iniciativa comunitária conta com o apoio do governo federal, por meio do Programa Cozinhas Solidárias, e mantém um acordo de cooperação com a Fundação BB (Fundação Banco do Brasil). A parceria contribuiu para a estruturação do espaço do projeto em São Bernardo, com a doação de todos os equipamentos necessários para o funcionamento da cozinha.
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