É preciso cair e levantar para aprender uma nova manobra
Enzo Anastácio, 11 anos, encara quedas e desafios com a meta de evoluir e se tornar profissional no esporte
Especial para o Diário
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Cair faz parte do dia a dia de quem anda de skate, assim como aprender a se levantar e tentar novamente. Aos 11 anos, Enzo Anastácio Silva, de Santo André, conhece bem essa experiência. Desde que começou a praticar o esporte, em outubro de 2022, já enfrentou manobras difíceis, sofreu com lesões e precisou de paciência para evoluir. Mesmo assim, não pensa em parar. Seu objetivo é continuar aprendendo até realizar um grande sonho: se tornar um skatista profissional.
A história de Enzo com o skate começou no Dia das Crianças. Na época, ele buscava fazer novos amigos, e a modalidade acabou se tornando uma oportunidade para conhecer pessoas e encontrar um ambiente em que se sentisse bem. “Eu andei de skate por causa das amizades, que estavam sendo algo difícil para mim”, conta.
Seu pai e os demais familiares apoiaram a escolha, e Enzo passou a frequentar a pista e se dedicar ao esporte. Hoje, seu pai o leva até lá, e o menino costuma andar de skate praticamente a semana inteira, por uma hora e meia por dia, geralmente depois de estudar pela manhã.
Para Enzo, o local é muito mais do que um espaço para treinar. É também um lugar de convivência, em que os praticantes compartilham experiências, aprendem uns com os outros e fazem novas amizades. Ao explicar como convidaria uma criança que nunca andou de skate para experimentar, Enzo resume o que encontrou no esporte: “O skate é tipo uma família, só que não de sangue do corpo”.
Quem vê os skatistas realizando movimentos no ar pode até pensar que é fácil. Mas aprender uma manobra exige treino, equilíbrio e coordenação. Enzo já conseguiu dominar o kickflip, movimento em que o skate gira em torno de seu eixo longitudinal enquanto o praticante salta.
“Quero mandar o ‘hardflip’”, afirma o garoto sobre seu próximo objetivo. Ele tem como inspiração os skatistas Tiago Lemos e Filipe Mota. Mas, para conseguir dominar essa manobra, sabe que ainda precisa praticar bastante e continuar evoluindo.
Nem todas as tentativas, porém, terminam como ele gostaria. Enzo já sofreu lesões enquanto andava de skate, incluindo uma fissura em um dedo e torções no pé e no joelho. Algumas dessas experiências o deixaram frustrado, mas não fizeram com que ele abandonasse a modalidade. “Fiquei um pouco bravo e falei: ‘Agora é que eu vou andar a valer de verdade’”, lembra o skatista.
A vontade de continuar não significa esquecer os cuidados. Enzo utiliza equipamentos de proteção, como capacete e joelheira. Esses acessórios ajudam a reduzir o risco de lesões e são importantes para quem está começando ou tentando aprender novos movimentos.
O skate também tem ensinado lições que Enzo leva para fora da pista. Quando perguntado sobre o que aprendeu com o esporte e utiliza no dia a dia, ele destaca atitudes importantes para a convivência com outras pessoas. “Ter respeito, dividir as coisas com os outros”, explica.
Quem acompanha a evolução do jovem é Antônio Marcos de Melo, 45, que o orienta nos treinos. Segundo ele, Enzo apresentou um desenvolvimento significativo desde que começou.
O garoto participa de um projeto social na Ana Brandão Skate Park, em Santo André, ligado à Secretaria de Esporte e Prática Esportiva do município. Nos momentos em que pode acompanhá-lo, Antônio ensina fundamentos e ajuda o menino a desenvolver suas habilidades.
“O skate se tornou uma ferramenta de socialização, de fazer a criança sair um pouco de casa, sair um pouco do celular e praticar esporte”, afirma o instrutor.
E os planos de Enzo não terminam nas próximas manobras. Ele conta que quer continuar andando de skate quando for adulto e transformar sua paixão em uma profissão. Também gostaria de participar dos Jogos Olímpicos, que contam com disputas da modalidade desde 2021.
Até lá, o menino segue treinando, aprendendo e fazendo amigos. Afinal, cada nova manobra representa um desafio e uma oportunidade de chegar um pouco mais perto do seu sonho.
Modalidade também chega às escolas e praças de Santo André
Aprender a se equilibrar sobre o shape (prancha) e as rodinhas do skate também faz parte das atividades de estudantes da rede municipal de Santo André. O projeto Skate na Escola, desenvolvido pelas secretarias de Educação e de Esporte e Prática Esportiva, leva fundamentos da modalidade ao ambiente escolar, com iniciativas voltadas ao equilíbrio, segurança e descoberta do esporte.
Na Emeief Papa João XXIII, cerca de 350 alunos do período integral participaram neste mês da iniciativa. A programação incluiu orientações com monitores, apresentação das peças do skate e demonstrações de manobras. Os estudantes tiveram contato com equipamentos de proteção, como capacetes, joelheiras, cotoveleiras e munhequeiras.
A atividade, em formato de apresentação, foi realizada ainda na Emeief Paranapiacaba. A proposta é ampliar as atividades para outras escolas, oferecendo às crianças a oportunidade de experimentar a modalidade com acompanhamento.
Crianças e adolescentes de 5 a 14 anos também podem participar das aulas gratuitas de skate oferecidas pela Prefeitura em quatro polos da cidade. Os alunos contam com orientação de monitores e empréstimo de equipamentos.
As inscrições podem ser feitas diretamente nos locais: SB Skate Plaza (Rua Domênico Garofallo); Ana Brandão Skate Park (Avenida Procópio Ferreira); Aclã Skate Park (Avenida Atlântica); e 360 Skate Park (Rua das Caneleiras).
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