Veja a Palavra do Leitor do 'Diário' deste dia 18 de outubro de 2026

Bolsa Família – 1
‘Lula diz que não sabia que Bolsa Família não teve reajuste e se esquiva sobre caráter eleitoral’ (www.dgabc.com.br). Na entrevista concedida à TV Globo na quinta-feira (15), o presidente Lula deu mais uma demonstração de demagogia e populismo. Ao ser questionado pela apresentadora Renata Lo Prete sobre o motivo de ter anunciado o reajuste do Bolsa Família – elevando o valor de R$ 600 para R$ 691 – a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições, o candidato afirmou, sem qualquer constrangimento, que desconhecia o fato de o programa estar há quase quatro anos sem reajuste e que teria autorizado o aumento assim que soube. A resposta, contudo, não surpreende. Trata-se de um comportamento deplorável e antirrepublicano. Na realidade, acuado pelos números desfavoráveis nas pesquisas de opinião, Lula utilizou a medida como uma manobra eleitoral, evidenciando que seu único objetivo é a perpetuação no poder.
Paulo Panossian
São Carlos (SP)
Bolsa Família – 2
‘Governo reajusta Bolsa Família em 15%; impacto é de R$ 5,8 bi em 2026 e R$ 22 bi em 2027’ (www.dgabc.com.br). A 17 dias do segundo turno, multiplicam-se os anúncios de benefícios, renegociações de dívidas e novas linhas de crédito. Indagado sobre o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, Lula alegou que não sabia que o benefício não havia sido corrigido pela inflação. Como pode um presidente desconhecer o que acontece em seu próprio governo? Afinal, “não sabia” é uma de suas expressões favoritas. Depois do primeiro turno, Lula parece ter despertado. Passou boa parte do mandato viajando e agora quer resolver, em poucos dias, o que não resolveu em quase quatro anos. De repente, tudo se torna prioridade. Coincidência eleitoral? Há quem diga que deveria haver eleição toda semana. Afinal, é só a campanha se aproximar para o governo descobrir que há dinheiro e problemas esperando solução. O mandato dura quatro anos, mas a disposição para governar parece aparecer apenas quando os votos estão em jogo.
Luciana Lins
Campinas (SP)
Escala 6x1
‘Senado aprova fim da escala 6x1 e redução da jornada para 40 horas’ (Economia, dia 14). Qualquer pessoa consciente não será contra a jornada 6x1, mas como estamos num País com grandes desigualdades salariais, penso que muitos trabalhadores não poderão usufruir desta folga e passar a fazer bicos para aumentar a renda.
Tania Tavares
Capital
Política e as crianças
Como conversar sobre política com crianças? Os especialistas defendem que elas devem aprender a perguntar, ouvir opiniões diferentes e construir suas próprias ideias. Concordo. Mas há uma questão anterior: e os adultos? Sabem ensinar política sem transformar educação em militância? Não adianta dizer à criança que ela deve respeitar opiniões diferentes se, dentro da sala de aula, o professor apresenta apenas um lado como correto e o outro como errado. Política deve, sim, fazer parte da formação cidadã. Mas escola não é palanque, professor não é cabo eleitoral e aluno não é plateia. Professor tem o dever de ensinar, não de convencer. Deve apresentar fatos, estimular perguntas, mostrar diferentes perspectivas e permitir que o aluno forme seu próprio pensamento. Afinal, se nem os adultos conseguem conviver com a divergência, como ensinar crianças a fazê-lo? Educar não é ensinar o que pensar. É ensinar a pensar. E isso começa pelo exemplo.
Izabel Avallone
Capital
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