Temos vivido, em nosso país, desastres climáticos recorrentes que nos causam prejuízos que vão muito além dos danos prediais, afetando profundamente a segurança sanitária.
Temporais com precipitação pluvial intensa e ventos fortes levam o caos sem precedentes aos centros urbanos e às áreas rurais, com enxurradas ceifando vidas e gerando muitos encaminhamentos aos serviços de urgência e emergência.
De outro modo, as inundações invadem áreas urbanas, misturando esgoto à água de consumo e criando o ambiente ideal para a proliferação de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose e as gastroenterites agudas.
As ondas de calor extremo, cada vez mais frequentes e severas, causam mortes diretas por insolação, desidratação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, afetando desproporcionalmente idosos, crianças e trabalhadores ao ar livre.
Além disso, as alterações nos padrões de temperatura e de precipitação expandem o habitat de inúmeros vetores, resultando no aumento e na dispersão geográfica de doenças como dengue, zika, chikungunya e malária para regiões antes consideradas seguras.
As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça para o futuro e se tornaram uma importante crise de saúde pública no século XXI, afetando a qualidade do ar, o acesso à água potável, a segurança alimentar e a incidência de doenças transmissíveis em todo o mundo.
O enfrentamento deste cenário exige que o poder público entregue às gestões de saúde a qualificação necessária para que passem de um modelo puramente reativo a um modelo resiliente e proativo.
É necessária ampla capacitação dos profissionais e dos serviços de saúde para lidar com essas demandas, assim como destinar investimentos generosos a obras de prevenção e de contenção de danos, sob pena de ter de reconstruir inúmeras cidades pelo país afora para entregá-las aos sobreviventes!