Caso Felca: Bullying escolar pode deixar marcas emocionais até a vida adulta
Após relato de Felca sobre fobia social, especialistas em educação explicam como identificar as agressões, prevenir a violência nas escolas e acolher as vítimas
FOTO: Divulgação

As consequências do bullying escolar podem ultrapassar a infância e a adolescência, comprometendo a autoestima, os relacionamentos e a saúde mental na vida adulta. O assunto volta a ganhar repercussão após o influenciador Felca compartilhar, nas redes sociais, um vídeo em que relata as agressões sofridas durante anos na escola e associá-las ao desenvolvimento da fobia social, transtorno caracterizado pelo medo intenso de situações de interação ou exposição diante de outras pessoas. O caso chama atenção para a importância de identificar comportamentos violentos e agir.
O bullying se caracteriza pela repetição de atitudes agressivas e intencionais, marcadas por uma relação de desequilíbrio de poder. Apelidos ofensivos, humilhações, ameaças e a exclusão de colegas nem sempre são reconhecidos como violência, especialmente quando são apresentados como “brincadeiras". Para Margarete Quiroga, psicóloga e coordenadora de projetos socioemocionais da Rede Adventista de Educação do Vale do Paraíba, Guarulhos e Atibaia, a falta de intervenção pode comprometer o desenvolvimento emocional da vítima. “Quando uma criança convive constantemente com situações de rejeição e constrangimento, ela pode desenvolver insegurança, vergonha e medo de se relacionar, e essas experiências negativas podem acompanhá-la por muitos anos, principalmente quando não existe apoio adequado”, explica.
Entre os sinais de alerta estão o isolamento social, mudanças de humor, queda no rendimento escolar, dificuldades de concentração e resistência em frequentar as aulas. Em situações mais graves, a exposição prolongada à violência pode contribuir para quadros de ansiedade, depressão e fobia social, embora esses transtornos tenham diferentes fatores associados.
A conscientização também é importante para ajudar os estudantes a reconhecer os limites entre brincadeiras e agressões. No Colégio Adventista, são comuns campanhas educativas utilizando diversos métodos, como, por exemplo, o do semáforo com três cores para identificar os comportamentos: verde para interações respeitosas, amarelo para apelidos insistentes e comentários constrangedores e vermelho para ameaças, perseguições e exclusão sistemática. A abordagem também contempla o cyberbullying, praticado por meio de ataques nas redes sociais e do compartilhamento de conteúdos ofensivos. Por meio da conscientização e de um protocolo anti bullying estruturado, os alunos são orientados a não incentivarem a violência e a procurarem um adulto responsável ao presenciarem ou sofrerem essas situações tanto no ambiente escolar quanto no virtual.
Segundo Marizane Piergentile, diretora da Rede Adventista de Educação do Vale do Paraíba, Guarulhos e Atibaia, o enfrentamento do problema exige uma atuação contínua nas instituições de ensino, com a participação das famílias. “A prevenção começa quando ensinamos que respeito e empatia precisam fazer parte das relações cotidianas. A escola deve oferecer um ambiente em que os alunos se sintam seguros para procurar ajuda, enquanto o trabalho de conscientização contribui para que todos compreendam sua responsabilidade na convivência com os colegas”, afirma.
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