Na região, número de conveniados na saúde é o dobro da média do País
Grande ABC registra 1,4 milhão de usuários de planos, 53,9% da população; no Brasil são 53 milhões, 24,8% do total
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Em agosto de 2026, o Grande ABC registrava 1.452.723 vínculos com planos de assistência médica para uma população de 2.725.209 habitantes, o equivalente a 53,3%. O índice é pouco mais que o dobro da média nacional, de 24,8%, que correspondia a 53.164.516 vínculos para 214.211.951 habitantes, segundo levantamento da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) a pedido do Diário.
A diferença também se reflete no segmento de planos odontológicos. Na região, os 953.802 vínculos registrados em agosto correspondem a 34,9% da população, percentual superior ao observado no Estado, onde os 12.487.271 vínculos representam 27%. Já no cenário nacional, os 37.311.529 vínculos equivalem a 17,4% da população.
A evolução dos dois segmentos em um ano mostra que os planos exclusivamente odontológicos ganharam 40.676 novos usuários no Grande ABC, passando de 913.126 para 953.802. No segmento de assistência médica, o acréscimo foi de 1.526 vínculos, de 1.451.197 para 1.452.723.
As características do mercado de trabalho ajudam a entender a maior presença de beneficiários de planos de saúde no Grande ABC. Para a advogada Loiane Lopes, especialista em relações de trabalho, de Santo André, o histórico industrial e a concentração de empregos formais contribuem para esse cenário.
“A proporção mais elevada de beneficiários de planos de saúde no Grande ABC pode estar relacionada ao perfil econômico e produtivo da região, historicamente marcada pela presença de indústrias, grandes empresas e empregos formais”, avalia.
Loiane acrescenta que o poder econômico das famílias também interfere no acesso à saúde suplementar. “Outro fator relevante é a capacidade financeira das famílias. A contratação e a manutenção de planos particulares dependem da renda disponível, enquanto os planos empresariais podem facilitar o acesso por meio de condições coletivas e da participação das empresas no custeio.”
A diferença em relação ao Estado e ao País pode, portanto, refletir características do mercado de trabalho, da estrutura empresarial e das condições econômicas regionais. A especialista, porém ressalta que seria necessário analisar a distribuição dos vínculos por modalidade de contratação para identificar o peso efetivo de cada fator.
ACESSO NÃO É IGUAL
Embora os indicadores do Grande ABC sejam superiores aos registrados no Estado e no País, isso não significa que os moradores tenham acesso homogêneo aos serviços privados de saúde.
“Importante observar que uma proporção elevada de usuários não significa, necessariamente, que toda a população tenha acesso igualitário à saúde suplementar. Trabalhadores informais, desempregados e famílias de menor renda podem enfrentar dificuldades para contratar ou manter esses serviços.” pontua a especialista.
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