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Câncer de mama em homens representa um a cada 60 casos no Grande ABC

Região registrou, de janeiro a agosto deste ano, 239 diagnósticos de tumor mamário, sendo quatro em pacientes do gênero masculino

26/10/2026 | 06:30
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FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou quatro diagnósticos de câncer de mama masculino nos primeiros oito meses deste ano, o que representa 1,67%, ou um a cada 60 do total de casos da doença. Foram duas ocorrências em São Bernardo e mais duas em São Caetano, segundo dados do DataSus, do governo federal. 

Apesar de raro, homens também podem desenvolver tumor mamário. A doença é tema de destaque da campanha Outubro Rosa, que conscientiza sobre a importância do diagnóstico precoce. 

O metalúrgico aposentado Luiz Fernando Almeida, 59 anos, morador de Mauá, em março de 2025, realizou uma mastectomia, cirurgia que retira o tecido mamário, em função de nódulos que poderiam ser tumores em função de seu histórico familiar.

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“Fiz um exame, em 2019, que indicou positivo para um tipo de mutação genética. Por isso, fazia mamografia e ressonância magnética a cada três meses para acompanhar e diagnosticar de forma precoce”, conta Almeida.

O mauaense tinha ainda ginecomastia, um aumento benigno do tecido da glândula mamária em homens, causado por um desequilíbrio entre os hormônios masculinos e femininos. “Quando surgiram nódulos nas minhas duas mamas, a cirurgia foi recomendada devido à minha predisposição. Para prevenir, foi tudo esvaziado. Depois o exame apontou que não era maligno”, lembra o aposentado. 

A mastologista da FUABC (Fundação ABC), Verônica Ayres, afirma que o câncer de mama em homens geralmente está em torno de 1% dos casos e está relacionado à relação entre os hormônios estrogênio (feminino) e testosterona (masculino). 

“Essa diferença (aumento do hormônio feminino e diminuição do masculino) está relacionada a uma alteração genética hereditária, como mutação dos genes BRCA1 e BRCA2, que pode ser influenciada por fatores como a obesidade. O tecido adiposo pode converter o que tem de testosterona em estrogênio”, esclarece.

A médica explica que problemas hepáticos também podem causar esse desequilíbrio hormonal. “Alteração testicular também influencia na formação da testosterona, assim como o uso de estrogênio exógeno como tratamento hormonal para próstata ou em algo do gênero.”

Uma das formas de prevenção é manter um estilo de vida saudável, segundo a mastologista, que inclui, a prática de atividade física, uma alimentação adequada e a eliminação do consumo de bebidas alcoólicas e do tabagismo.

TRATAMENTO

Como a incidência do câncer de mama é baixa em homens, não há indicação para que a mamografia seja usada como método de diagnóstico precoce, diz Verônica Ayres. 

“A orientação é o autoconhecimento. Homens que encontrarem uma lesão na mama que não melhora, um nódulo palpável, a saída de secreção pelo mamilo ou o aumento do volume devem fazer uma consulta para avaliação.”

Em casos com histórico familiar relevante para o câncer de mama, é necessário fazer um acompanhamento mais de perto para evitar um diagnóstico tardio da doença. 

O tratamento do câncer de mama masculino é o mesmo do feminino, conforme explica a médica, e envolve a realização de quimioterapia, radioterapia, cirurgia, terapia hormonal e imunoterapia. 

“O que acontece é que nos homens, muitas vezes, o diagnóstico é mais tardio e, com isso, o estadiamento (processo usado pela equipe médica para determinar a localização e o grau de disseminação de um câncer no corpo) do câncer de mama pode ser mais alto, diminuindo as chances de cura.”

“Por isso que podemos observar, eventualmente, uma maior mortalidade em homens. Mas o curso da doença é parecido, é só mesmo o estágio em que é feito o diagnóstico. Como as mulheres têm a mamografia como uma ferramenta de rastreamento, muitas vezes, o diagnóstico é precoce e as chances de cura são mais altas”, avalia Verônica. 




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