Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil. Passado o turbulento processo eleitoral, a principal missão do petista não será apenas administrar as contas públicas ou conduzir reformas econômicas, mas sim liderar uma verdadeira pacificação nacional. Em um País profundamente polarizado e extremamente dividido, onde divergências políticas migraram dos debates de ideias para a intolerância cotidiana, restabelecer a harmonia social converteu-se em pré-requisito fundamental para a própria governabilidade. O papel da liderança máxima do Executivo deve ser o de um amálgama, e não o de um vetor de discórdia. É preciso governar para todos, respeitando a pluralidade.

O resultado mostra que o Brasil está dividido em dois. Será preciso reunificá-lo. O Grande ABC, berço histórico de movimentos sociais e polo econômico vital, conhece de perto a importância do diálogo entre diferentes setores para a construção do progresso. Quando o radicalismo impera, os investimentos recuam, o comércio enfraquece e os empregos desaparecem. A pacificação é urgente porque a instabilidade crônica sabota o futuro. Nenhuma nação prospera sob o signo da desconfiança mútua. O Brasil necessita de um ambiente de previsibilidade jurídica e paz social para atrair capitais, modernizar sua infraestrutura e combater de forma eficaz as suas históricas desigualdades.
Sem um pacto mínimo de convivência democrática, o debate público esvazia-se em disputas estéreis, paralisando as instituições e atrasando as respostas que a população mais vulnerável tanto aguarda na saúde, na educação e na segurança. Garantir ordem e união não quer dizer anular a oposição ou silenciar as críticas, que são saudáveis e fundamentais na democracia. Significa, sim, resgatar a civilidade e o respeito às regras. Lula tem o dever cívico de construir pontes, restabelecer o diálogo entre os Poderes e dar o exemplo, mostrando que o destino do País está acima de qualquer projeto partidário. O momento exige grandeza. É hora de descer do palanque e governar para a totalidade dos brasileiros.