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Região se livrou de ter o monotrilho, afirma especialista

Pesquisadores de transporte dizem que projeto da linha 18-Bronze para o Grande ABC seria caro e não atenderia à demanda de usuários

27/10/2026 | 09:00
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Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Após a queda de um guindaste sobre a via do monotrilho da Linha 15-Prata, na Capital, no sábado (24), e a colisão de um trem com o equipamento, surgiram questionamentos sobre a viabilidade desse modal e do extinto projeto da Linha 18-Bronze, previsto para atender o Grande ABC. Especialistas ouvidos pelo Diário avaliaram que esse tipo de transporte exigiria investimentos elevados e teria capacidade limitada para atender à demanda dos moradores.

 O projeto de transporte para a região foi firmado em 2014 e previa a implantação de 13 estações ao longo de 15 quilômetros, conectando a Capital a São Caetano, São Bernardo e Santo André. O investimento estimado à época variava entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões. Em 2019, o ex-governador João Doria (sem partido) cancelou o projeto, dando espaço ao BRT-ABC, opção de menor complexidade e mais barata.

O engenheiro e mestre em transporte pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Sergio Ejzenberg, declarou que o monotrilho não seria ideal em nenhuma região de São Paulo. “Nenhuma das três (linhas 15, 17 e 18) eram viáveis. Os monotrilhos são muito caros e com média ou pequena capacidade. Como resultado de um meio caro e limitado, o custo por usuário/quilômetro chega a ser oito vezes mais caro que um de metrô convencional, por exemplo. O Grande ABC se livrou de um bom problema”, disse.

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Além do preço elevado, que afetaria o bolso dos moradores, o especialista comentou sobre os problemas urbanísticos que uma obra desse tamanho traria. “A operação desses monotrilhos é um ‘abacaxi’ que fica na mão do poder público. É uma decisão desastrosa do ponto de vista econômico, de logística e ambiental. Onde o modal foi instalado teve uma degradação urbana, atraindo usuários de drogas, insegurança e problemas no comércio”, comentou Ejzenberg.

Segundo o mestre em transporte, o monotrilho tem pouca viabilidade de extensão e não conseguiria acompanhar o crescimento das cidades. Além disso, há falta de flexibilidade para providenciar integrações, já que precisa de diversas infraestruturas de passarelas para subida e descida.

O consultor de trânsito e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Creso Peixoto, foi mais sucinto nas críticas, mas declarou que havia opções melhores para atender a demanda. “Tem modelos que te permitem conseguir chegar em uma capacitação maior em termos de área de abrangência. Construir um quilômetro de monotrilho é possível fazer dez de BRT”, explicou. 

SEGURANÇA

Depois que o guindaste da Cortesia Guindastes tombou e caiu sobre a estrutura da Linha 15-Prata do monotrilho, o Metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo), afirmou que os usuários não ficaram feridos e foram desembarcados em segurança. Já o trem envolvido na ocorrência foi recolhido para manutenção.

O engenheiro e mestre em transporte pela Escola Politécnica da USP, Sergio Ejzenberg, declarou que a segurança é outro ponto questionado por ser um modelo aberto, de alta velocidade e em grande altura. 

“Quando ocorre algum problema com o veículo, ele está em uma estrutura elevada. Felizmente, neste caso, o equipamento envolvido era menos resistente. Em uma situação de descarrilamento, as consequências poderiam ser muito graves. O episódio reforça a necessidade de aprimorar o sistema de monitoramento para detectar possíveis interferências na via”, falou Sergio Ejzenberg.

‘BRT é compatível no Grande ABC’

De acordo com os especialistas, o BRT-ABC foi o formato mais viável no momento após o cancelamento do monotrilho. “O BRT é compatível com a ambiência urbana do Grande ABC, mais barato e mais rápido. Ele complementa o transporte sobre trilhos e opera a cidade quando o modal para na manutenção. Ou seja, é mais do que interessante e necessário”, falou o engenheiro e mestre em transporte pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Sergio Ejzenberg.

“O ideal seria o BRT, pensando em investimento e retorno de transporte. É uma solução mais pé no chão”, complementou o consultor de trânsito e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Creso Peixoto. 

Conforme divulgado pelo Diário, já foram concluídos 10 km do BRT-ABC, abrangendo nove estações. Com base na licença emitida pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a Next Mobilidade solicitou autorização à Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo) para operação assistida.

Apesar disso, a Artesp abriu o processo de caducidade por conta dos atrasos da empresa. A Next alegou problemas por fatores externos e com concessionárias.




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