O acidente do sábado (24), na Zona Leste da Capital, quando guindaste caiu sobre a via do monotrilho da Linha 15-Prata, reacende o debate sobre os rumos da mobilidade urbana no Grande ABC. Especialistas ouvidos pelo Diário argumentam que, à luz dos perigos expostos por ocorrências de tal natureza, a região deveria considerar o fato de não ter recebido o modal, conforme previsto originalmente no projeto da Linha 18-Bronze do Metrô, como livramento. É evidente que uma ocorrência, por si só, não condena uma tecnologia. Todo sistema está sujeito a falhas, mas o episódio reforça a necessidade de se avaliar com cautela os riscos de equipamentos que prometem modernizar o transporte público.
O episódio paulistano ainda serve de alerta para que decisões sobre mobilidade não sejam guiadas apenas pelo apelo da novidade ou pela imagem de modernidade de determinadas tecnologias. Obra de grande porte precisa ser avaliada por critérios objetivos de segurança, viabilidade econômica, eficiência e benefício coletivo. Se a troca do monotrilho pelo BRT evitou que o Grande ABC assumisse riscos adicionais, como agora se vê, há motivos para reconhecer o acerto da escolha. Mais importante, porém, é garantir que o sistema adotado saia do papel. Afinal, modernizar o transporte não é apostar no modal mais vistoso, mas oferecer à população viagens rápidas, confortáveis e, sobretudo, seguras.
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