Polícia e GCMs da região apostam em treinamento para abordagem inclusiva
Agentes de Santo André e São Caetano passam por capacitação para atender pessoas com TEA e transtornos mentais; outros municípios planejam ação
FOTO: Divulgação

Estado e municípios apostam na qualificação dos agentes de segurança da região para abordagens inclusivas. A Polícia Militar andreense e a GCM (Guarda Civil Municipal) de São Caetano realizaram treinamento de seu efetivo. As cidades de Santo André, Diadema e Ribeirão Pires elaboram projetos.
A primeira equipe a receber o treinamento foi a equipe do 10º BPM (Batalhão da Polícia Militar), em Santo André, composta por 780 policiais, em 30 de junho de 2026. Ao todo, foram quatro horas de conteúdo e simulação.
A formação, idealizada pelo comandante da unidade, tenente-coronel PM Anderson Barbosa Casado, foi coordenada pelo Centro TEA Paulista, equipamento da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, localizado na Capital.
O objetivo foi qualificar os policiais para identificar e manejar ocorrências envolvendo pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), PCDs (Pessoas com Deficiência) e com transtornos mentais.
O capitão Paulo Carvalho explica que a iniciativa surgiu da necessidade de preparar os agentes para atender ao aumento das ocorrências envolvendo pessoas neurodivergentes. Segundo ele, o treinamento será atualizado anualmente.
“Pessoas perdidas em área de mata ou tendo crise em lugar público, na qual a população confunde com agressividade, ligam para polícia, são alguns dos tipos de situação que atendemos”, relata.
O policial militar destaca que surtos podem ser confundidos em uma ocorrência, na qual o agente precisa reconhecer com agilidade e intervir com assertividade. “É importante que os policiais estejam treinados para fazer uma melhor leitura e identificar se aquela pessoa é violenta e um risco”, ressalta.
No último dia 15 de outubro, uma mulher em surto psicótico, segurando uma faca de cozinha, foi baleada e morta pela Polícia Militar na Zona Norte da Capital. Camila Pereira da Silva, 32 anos, deixou duas filhas.
A Major Graziela Bazili acrescenta que o treinamento abordou situações diversas para ampliar a capacitação dos profissionais. “Uma pessoa com baixo índice glicêmico pode ser confundida com alguém alcoolizado. Os policiais se deparam com ocorrências diversas e, dependendo da abordagem, a crise pode piorar”, afirma.
Em 17 de setembro, foi a vez da GCM de São Caetano receber o workshop sobre Políticas Públicas Inclusivas, promovido pela DEF (Divisão de Ensino e Formação) da corporação. A primeira turma contou com 40 guardas civis municipais. A atividade teve duração de duas horas.
A capacitação abordou o reconhecimento de sinais de crise, a distinção entre episódios de desregulação e situações de desobediência, além de técnicas de comunicação adequada, inclusive com pessoas não verbais. Também destacou a importância de reduzir estímulos ambientais que possam agravar a crise.
PROJETOS
A GCM de Santo André dará início em novembro a uma formação, em parceria institucional com a Egea (Escola de Governo do Executivo Andreense), que vai incluir um curso específico voltado à preparação dos guardas civis municipais para o reconhecimento, a abordagem e o atendimento adequado às pessoas com TEA. O projeto está em fase de planejamento e o cronograma ainda será definido.
Em Diadema, a GCM prevê realizar, em breve, a capacitação de seus agentes para o atendimento especializado a pessoas com deficiência. O treinamento será realizado com o apoio de profissionais especializados, com o objetivo de preparar os GCMs para uma abordagem mais humanizada e inclusiva.
A Secretaria de Segurança Urbana, Mobilidade e Defesa Civil de Ribeirão Pires está elaborando ações para a realização de treinamentos voltados ao reconhecimento e atendimento adequado de pessoas com diferentes tipos de deficiência e com transtornos mentais.
O tema já foi pauta em Rio Grande da Serra, que planeja avaliar a implementação da capacitação. A Secretaria de Serviços Urbanos de São Bernardo informa que os agentes da GCM recebem orientações para lidar com essas situações de forma humanizada e já atenderam ocorrências que exigiram esse tipo de abordagem.
A Polícia Militar do Estado diz que possui protocolos, manuais e capacitação para o atendimento de pessoas com deficiência e transtornos mentais, inclusive em situações de risco à própria vida ou à integridade de terceiros.
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