Registros de sífilis têm aumento de 26% em cinco anos no Grande ABC
Nos primeiros oito meses de 2026, foram contabilizados 1.025 casos ante 811 em 2021; Outubro Verde destaca prevenção
FOTO: André Henriques/DGABC 21/10/22

O número de contaminados pela sífilis nos primeiros oito meses de 2026 já ultrapassou em 26% os registros do ano todo de 2021. Foram 1.025 casos contra 811, de acordo com dados do NIES (Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde), do governo estadual. Em 2022, 2023, 2024 e 2025, houve, respectivamente, 1.418, 1.704, 1.733 e 1.730 registros.
Neste mês, é celebrada a campanha nacional Outubro Verde de conscientização e combate à sífilis, doença que pode ser prevenida pelo uso de preservativos nas relações sexuais. O infectologista e membro do comitê de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Eduardo Campos, afirma que o aumento expressivo e contínuo no número de notificações é resultado da combinação de alguns fatores.
Um dos comportamentos que fazem a transmissão, de acordo com o médico, é a diminuição do uso de preservativos, especialmente entre a população jovem, impulsionada pela diminuição da percepção do risco de ISTs no geral e a disponibilidade ampliada de possibilidades de tratamentos.
Homens e mulheres de 20 a 39 anos representam 62%, ou 635, dos infectados no Grande ABC em 2026. “O tratamento é altamente eficaz e disponível para os infectados. Isso gerou um relaxamento generalizado na adesão ao preservativo, impactando diretamente o controle de outras ISTs, como sífilis, gonorreia e clamídia”, pontua.
Outro fator é a facilidade de disseminação da bactéria (Treponema pallidum) responsável pela sífilis. “Algumas fases da doença não se manifestam clinicamente, mas os infectados podem transmiti-la. E, apesar da disponibilidade do tratamento gratuitamente no SUS (Sistema Único de Saúde), a resistência no manejo na rede primária e o não tratamento simultâneo das parcerias sexuais mantêm a cadeia de reinfecção e transmissão ativa”, explica o infectologista.
Em contrapartida, o maior acesso à testagem, com a utilização massiva dos testes rápidos na Atenção Primária à Saúde, detectando muitos assintomáticos, faz com que o número de diagnósticos aumente.
“Há ainda muitos tabus e preconceitos em torno das ISTs, o que dificulta a conversa aberta sobre o tema entre parceiros e impede que pessoas procurem unidades de saúde para testagem preventiva de rotina. O preconceito por parte de profissionais de saúde também representa uma barreira ao enfrentamento das infecções”, ressalta.
A doença, identificada por exame de sangue e combatida com antibiótico, pode ter graves consequências. Entre as principais está a neurossífilis, um acometimento do sistema nervoso central que pode causar meningite, demência e perda de visão e audição.
Outra consequência grave é a sífilis cardiovascular, que causa aneurisma e inflamação da aorta, com risco de morte. Já a sífilis congênita pode gerar aborto espontâneo, prematuridade, má-formações ósseas, cegueira, surdez e deficiência intelectual no bebê.

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