O quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo, deverá priorizar a responsabilidade fiscal. Em País marcado por profundas desigualdades sociais, equilibrar as contas públicas não é exigência meramente contábil, tampouco concessão ao mercado financeiro, mas condição indispensável para assegurar crescimento econômico sustentável, inflação controlada e capacidade de investimento. Gastos públicos sem fontes de financiamento pressionam a dívida, elevam a desconfiança e podem encarecer o crédito para famílias e empresas. A conta, no fim, recai sobretudo sobre os mais pobres, que dispõem de menos instrumentos para se proteger da perda do poder de compra.
Para alcançar esse objetivo, o governo precisará rever gastos, combater desperdícios e avaliar com rigor a eficiência dos programas públicos. Benefícios tributários sem resultados comprovados, estruturas administrativas redundantes e políticas sem avaliação de desempenho devem entrar na agenda de revisão. Também será necessário conter o crescimento das despesas obrigatórias, respeitando direitos e construindo soluções politicamente viáveis. Aumentar impostos de forma recorrente não pode ser a resposta automática para cobrir desequilíbrios produzidos pela expansão dos encargos. Previsibilidade orçamentária é essencial para atrair investimentos e criar empregos de qualidade.
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