Filho autista inspira pais a criar instituto de inclusão em Mauá
Iniciativa surgiu da falta de acessibilidade vivenciada por Jorge de Oliveira, 5 anos; projeto busca promover acolhimento às PCDs e seus familiares
FOTOS: Celso Luiz/DGABC

A chegada de Jorge Priolean Rodrigues de Oliveira, hoje com 5 anos, mudou os planos do casal Dayuri Priolean, 36, e Victor Rodrigues, 30. O projeto de criar um instituto voltado à educação ambiental deu lugar a uma iniciativa dedicada à inclusão, à autonomia e à defesa de direitos das pessoas com deficiência. Em Mauá, a experiência da família deu origem ao ISJ (Instituto Salve Jorge de Inclusão Social), que está em fase de estruturação e ainda não tem previsão de lançamento.
Bióloga e ativista ambiental, Dayuri já trabalhava na elaboração de um projeto para levar crianças a parques e desenvolver atividades de educação ambiental. A iniciativa chegou a ter estatuto preparado, mas foi interrompida durante a pandemia da Covid-19. Depois do nascimento do filho, que tem deficiência física decorrente da mielomeningocele (fechamento incompleto da coluna vertebral) e TEA (Transtorno do Espectro Autista), ela decidiu mudar os objetivos do projeto.
“Percebi que existem famílias que são invisibilizadas. Elas precisam ser ouvidas, mas nem sempre conseguem alcançar as políticas públicas de que necessitam”, relata Dayuri.
A mudança de propósito também partiu da experiência cotidiana dos pais na busca por acessibilidade e oportunidades de participação para o filho. A ideia passou a ser construir um espaço que acolhesse não apenas pessoas com deficiência, mas também pessoas neurodivergentes, familiares e redes de apoio.
“Pensamos no projeto realmente para dar conscientização e para dar um espaço digno para que as pessoas possam desenvolver suas qualidades e suas perspectivas de vida”, explica Rodrigues, que é web designer.
Entre as primeiras iniciativas do instituto está a Turma do Jorge, projeto que promove passeios para pessoas com deficiência. A proposta é ampliar o acesso a espaços de cultura, esporte e lazer, além de proporcionar momentos de convivência entre os participantes.
Segundo Dayuri, os passeios serão organizados com o apoio de parceiros. Mesmo quando os locais oferecem entrada gratuita, despesas com transporte e alimentação representam obstáculos para ampliar a frequência das atividades.
“Não são apenas as pessoas com deficiência que precisam de atenção. As famílias também precisam ser ouvidas e cuidadas”, pontua Dayuri.
A idealizadora observa que muitas mães assumem grande parte das responsabilidades pelos cuidados dos filhos e acabam encontrando dificuldades para conciliar a rotina familiar com o trabalho e a vida pessoal. Por isso, o instituto pretende fortalecer as redes de apoio e buscar parcerias para oferecer acolhimento e oportunidades de formação.
Entre os planos está a criação de uma atuação itinerante, com visitas a diferentes regiões de Mauá para ouvir moradores, identificar necessidades e divulgar os projetos disponíveis.
INSPIRAÇÃO
A identidade visual do ISJ também nasceu de uma característica marcante do pequeno Jorge de Oliveira, o interesse por desenhos e pela natureza. Desde pequeno, Jorge demonstra fascínio por insetos, temas que aparecem com frequência em suas criações.
Ele fez três desenhos: um axolote, espécie de salamandra, um girassol e uma joaninha. As ilustrações serviram de base para a criação de diferentes propostas de logotipo, submetidas à votação pública. A comunidade escolheu a joaninha para representar o futuro instituto.
Família realiza pré-lançamento da organização na Câmara de Mauá
O pré-lançamento do Instituto Salve Jorge de Inclusão Social, que está em fase de estruturação e, por enquanto, não tem sede, aconteceu nesta quarta-feira (28), na Câmara de Mauá. O encontro apresentou a proposta da iniciativa e os projetos que a família pretende promover.
Entre as frentes previstas para os futuros projetos estão direitos e acessibilidade, escuta e orientação social às famílias, educação e participação na vida em comunidade. As iniciativas serão estruturadas conforme avançarem a elaboração do instituto e suas parcerias.
A família busca promover a inclusão, garantindo que cada pessoa participe da comunidade com autonomia e os apoios necessários. “Com o instituto, a gente, por meio da interação, do esporte, cultura, e lazer, vai inserir a pessoa com deficiência de fato nos locais. E vamos ouvir as famílias também, realizar rodas de encontros e pegar o relato das pessoas, tudo que está acontecendo, e mandar para a Câmara e a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo)”, explica a mãe de Jorge Priolean Rodrigues de Oliveira e criadora do instituto, Dayuri Priolean, 36 anos
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