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Todos os Santos e Halloween

Bispo Dom Pedro Cipollini
29/10/2026 | 08:32
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DGABC Gilmar
Gilmar  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Na Inglaterra, no início de seu povoamento, conviviam vários povos e um deles eram os celtas que tinham uma tradição ancestral. Celebravam no final do verão e início do inverno uma festa popular e religiosa. Acreditavam que neste período as barreiras entre o mundo dos mortos e dos vivos eram atenuadas. Então, os mortos vagavam pela terra até encontrarem seu destino final. Acendiam-se fogueiras para iluminar as noites para ajudá-los a encontrar seu caminho.

No século VIII por intermédio da Igreja, foram introduzidas duas festas nas Ilhas Britânicas: em 1º de novembro, o “Dia de todos os Santos” (All Saints’ Day), reservado à comemoração dos santos; em 2 de novembro, o “Dia de Finados” (All Souls’ Day), este reservado à oração pelas almas. Isto contribuiu para fortalecer a data de 31 de outubro, como celebração dos mortos na tradição local, como “Véspera de todos os Santos” (All Hollowe Eve), que daria origem ao nome “Halloween”. Fortaleceu-se nas Ilhas Britânicas as datas 31 de outubro, 1º de novembro e 2 de novembro, como momentos de celebração e respeito aos falecidos.
 

A transferência de uma festa cristã para uma data em que tradicionalmente se celebrava uma festa pagã, fez com que elementos desta fossem transferidos para aquela. Sendo assim, os cristãos passaram a usar fogueiras para afastar “práticas demoníacas” e crianças começaram a ir de casa em casa realizando orações, pelas almas dos que estavam no purgatório. Em troca, essas crianças recebiam um bolo ou doce. 

Aqui no Brasil, a tradição cristã sempre celebrou o Dia de todos os Santos. Os santos têm papel especial na caminhada cristã. Eles mostram, com sua vida, que o Evangelho de Jesus Cristo pode ser praticado no dia a dia. São exemplos luminosos para nós. Quando conhecemos a história de um santo ou santa, aprendemos valores como a generosidade, perseverança, oração, respeito ao próximo, valorização da vida e da natureza, confiança em Deus. Os santos nos tornam mais humanos. Eles nos ajudam a crescer na fé e viver a Palavra de Deus. São pessoas plenamente realizadas a nos indicar o caminho do bem.

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No Dia de Finados, a Igreja convida a rezar pelos falecidos com um grande sentimento de esperança. A morte é uma realidade dramática, porém, a fé cristã ensina que a vida não é tirada, mas transformada. Alguém dizia ao morrer: “Não morro: entro na vida”. Deus nos criou para a vida e nos quer sempre vivos, por isso, a morte para o cristão é uma passagem. Jesus disse: “Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40). Jesus não só nos garante a vitória sobre a morte, mas nos fala da beleza da vida eterna, que ele nos oferece e ensina como se chega a ela. 
 
Aqui no Brasil, a comemoração do Halloween se difundiu na década de 1980, vinda dos EUA, com acontecimento cultural e comercial. Este evento foi se transformando e se fixando no seu primitivismo supersticioso, envolvendo os mortos, representados com aspectos tenebrosos. Nesta mistura, alguns desejam dar um enfoque holístico, celebrativo da natureza, da magia etc. No entanto, o nome pelo qual este evento é hoje conhecido, Festa das Bruxas, é indicativo do teor macabro do qual ele se reveste. É de se perguntar: qual elemento construtivo nos traz?
 
Por infelicidade, nas escolas, não se pode fazer menção à Festa de Todos os Santos, nem à Comemoração de Finados, conforme o enfoque cristão. Porém, são liberadas as comemorações do Halloween, como Festa das Bruxas, e dos mortos. Sem pensar nas consequências que chegam mais tarde, talvez em forma de automutilação e outras piores. Porque Bruxa é uma figura malévola, tanto no inconsciente coletivo, que gera suas histórias e mitos, como na realidade do dia a dia.
 

Rezemos, pedindo ajuda de todos os santos!




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