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Fiscalização legislativa

30/10/2026 | 08:15
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Está na ordem constitucional brasileira que algumas das atribuições mais importantes do Poder Legislativo são as de fiscalizar os atos do Executivo, acompanhar a aplicação dos recursos públicos e cobrar transparência na administração do dinheiro que pertence ao cidadão. A CPI da Dívida, instaurada pela Câmara de São Caetano para investigar a situação financeira deixada pela gestão de José Auricchio Júnior (PSD), é exemplo da relevância desse papel. De fato, foram elementos descobertos pela apuração que levaram o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) a revisar o entendimento sobre a lisura dos gastos autorizados pelo então prefeito – que deixou débitos de R$ 1 bilhão.

Após analisar documentos levantados pela CPI, o Departamento de Instrução Processual Especializada do TCE-SP identificou distorções contábeis que teriam mascarado a real situação fiscal da Prefeitura no encerramento daquele exercício. Não fosse o trabalho legislativo, capitaneado pelo vereador Edison Parra (Podemos), os conselheiros teriam de basear seus pareceres apenas na boa-fé da equipe comandada por José Auricchio Júnior. Entre as novidades estão o cancelamento de despesas liquidadas, saldos bancários superavaliados e obrigações financeiras não contabilizadas. A avaliação concluiu que as irregularidades têm gravidade suficiente para comprometer as contas de 2024.
 

O episódio demonstra que a fiscalização parlamentar não é instrumento de disputa política, tampouco deve ser tratada como perseguição a adversários. É dever constitucional e mecanismo indispensável de proteção do patrimônio público. Sem investigação, questionamento e cobrança, eventuais irregularidades podem permanecer ocultas, transferindo à população o custo de decisões administrativas equivocadas. Cabe aos vereadores exercer essa prerrogativa com independência, responsabilidade e rigor técnico, não importa quem esteja à frente do Executivo. Afinal, governos são transitórios, mas o dinheiro do contribuinte exige zelo permanente. Quando o Legislativo fiscaliza, a sociedade ganha.

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