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Mulheres experientes, IA e carreira

Fábio Tiepolo
30/10/2026 | 08:14
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 A IA (inteligência artificial) está transformando o mercado de trabalho e trazendo um desafio para as carreiras femininas: como garantir que mulheres com décadas de experiência profissional acompanhem essas mudanças e aproveitem as oportunidades criadas pela tecnologia?

Estudos da OIT (Organização Internacional do Trabalho) apontam maior exposição feminina à IA generativa em determinadas ocupações, especialmente nas funções administrativas e de suporte. Isso não significa necessariamente a eliminação desses empregos, mas indica mudanças nas competências valorizadas pelo mercado.
 
Na Economia da Adaptação, chamamos de Capital Adaptativo a capacidade de aprender, experimentar e transformar conhecimentos em novas formas de gerar valor. Para mulheres acima dos 40 anos, essa habilidade pode representar uma oportunidade de reinvenção profissional.
 
A experiência acumulada também ganha relevância. Se a IA torna determinadas tarefas mais rápidas, competências como pensamento crítico, julgamento, negociação e compreensão de contextos complexos podem se tornar ainda mais importantes.
 
Esse repertório constitui o que chamamos de Capital Contextual. Uma executiva com 25 anos de trajetória não precisa competir com profissionais mais jovens apenas pelo domínio de ferramentas digitais. Sua vantagem pode estar na combinação entre tecnologia e experiência.
 
A IA também facilita a exploração de novos caminhos. Uma profissional pode utilizá-la para pesquisar mercados, identificar competências transferíveis, estruturar projetos ou testar ideias antes de uma transição de carreira. O próximo capítulo profissional não precisa começar quando o atual termina.
 
Mas a adaptação não pode ser responsabilidade exclusivamente individual. Aprender exige tempo, acesso, formação e oportunidades, recursos que não estão igualmente disponíveis, especialmente para mulheres que conciliam trabalho e responsabilidades familiares.
 
Por isso, as empresas precisam considerar a desigualdade de adaptação em suas políticas de diversidade. Além de acompanhar indicadores de contratação, remuneração e liderança feminina, devem observar quem recebe treinamento em IA e participa de projetos tecnológicos.
 
Para as profissionais, o primeiro passo não exige dominar todas as ferramentas. Pode começar pelo uso da IA em tarefas cotidianas e pela identificação de atividades que estão mudando.
 
A inteligência artificial não criou as desigualdades de gênero no trabalho, mas pode ampliá-las se o acesso à tecnologia permanecer desigual. Para mulheres experientes, a oportunidade está em combinar inovação e repertório profissional. Afinal, o valor da experiência não desaparece diante de uma nova ferramenta. O que muda é a maneira de transformá-la em oportunidades.
 

Fábio Tiepolo é CEO e sócio-fundador da StaryaAI. Tati Sadala é cofundadora e integrante do conselho do Todas Group.

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