Home Titulo Política Titulo Assédio eleitoral

Entidades condenam listas de boicote por posição política

Abrasel, OAB e Ministério Público do Trabalho alertam para possíveis consequências legais de campanhas contra empresas e trabalhadores

30/10/2026 | 13:24
Compartilhar notícia
DGABC FOTO: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
FOTO: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Entidades empresariais, representantes da advocacia e o MPT (Ministério Público do Trabalho) se manifestaram contra a circulação de listas que identificam comerciantes, empresas e trabalhadores por suas preferências políticas. As iniciativas, divulgadas nas redes sociais após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), incentivam boicotes econômicos e, em alguns casos, retaliações profissionais.

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) repudiou a divulgação de listas que associam estabelecimentos comerciais a determinados posicionamentos políticos e incentivam consumidores a deixar de frequentá-los.

Em nota divulgada na quarta-feira (28), a entidade afirmou que empresários e trabalhadores possuem diferentes convicções políticas e que essas divergências devem ser respeitadas.

DGABC

A associação destacou que o consumidor tem liberdade para escolher onde comprar, mas alertou que campanhas de exposição e perseguição podem gerar consequências jurídicas.

“A divulgação dessas listas pode configurar ato ilícito e sujeitar os responsáveis a ações na Justiça”, afirmou a Abrasel.

Segundo a entidade, possíveis prejuízos econômicos também podem atingir funcionários que dependem dos estabelecimentos para obter renda.

OAB ALERTA PARA DISCRIMINAÇÃO

A seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Tocantins também divulgou nota de repúdio à exposição de empresas, profissionais e cidadãos em razão de suas preferências políticas.

A entidade ressaltou que a liberdade de manifestação e a pluralidade de ideias são princípios democráticos e advertiu que práticas discriminatórias e constrangimentos podem resultar em responsabilização legal.

Na avaliação da seccional, divergências eleitorais não justificam perseguição econômica, exposição pública ou restrição de direitos.

MPT COMBATE DEMISSÕES POR POSIÇÃO POLÍTICA

O MPT também identificou publicações que incentivam empresários a investigar o posicionamento político de funcionários e utilizar essas informações para decidir sobre contratações e demissões.

O órgão ajuizou ação civil pública contra a Meta, responsável por plataformas como Facebook, Instagram e Threads, para exigir a remoção de conteúdos que incentivam a discriminação de trabalhadores em razão do voto.

Em desdobramento divulgado pelo Diário, a Justiça do Trabalho determinou, na quinta-feira (29), a retirada de 14 publicações que estimulavam práticas de assédio eleitoral.

Segundo balanço do MPT divulgado na mesma data, as denúncias de assédio eleitoral chegaram a 3.754 durante as eleições de 2026. Desse total, 1.459 foram registradas entre o início de segunda-feira (26) e o meio-dia de quinta-feira (29).

O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, também alertou que os efeitos dessas práticas podem atingir trabalhadores assalariados, profissionais autônomos e pequenos comerciantes.

COMPARAÇÃO COM PERSEGUIÇÕES HISTÓRICAS

A ex-deputada federal Manuela d''Ávila (PCdoB) divulgou um vídeo no qual comparou a circulação das listas de boicote às medidas de perseguição econômica adotadas contra comerciantes judeus na Alemanha nazista, em 1933.

Segundo ela, a identificação pública de estabelecimentos e profissionais para incentivar prejuízos econômicos em razão de convicções políticas representa uma prática autoritária.

O historiador Francisco Carlos Teixeira, professor de História Contemporânea da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), afirmou que a elaboração de listas para perseguir determinados grupos também foi utilizada por regimes autoritários, incluindo a ditadura militar brasileira.

A avaliação histórica foi apresentada pelos entrevistados da Agência Brasil. As possíveis responsabilidades jurídicas pelas listas que circulam atualmente dependem da análise das circunstâncias de cada caso.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;