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STF: Mendonça retoma caso INSS, mas Fachin segue com Banco Master

Processos do Banco Master continuam temporariamente na Presidência da Corte; decisão ainda será analisada pelo plenário

Tatiana Domingos e agências
30/10/2026 | 16:37
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FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasi Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, determinou a devolução das investigações sobre descontos ilegais em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ao ministro André Mendonça. Na mesma decisão, assinada na quinta-feira (29), Fachin manteve temporariamente sob responsabilidade da Presidência da Corte os procedimentos relacionados ao Banco Master.

A determinação estabelece tratamentos diferentes para as duas investigações, que haviam sido transferidas à Presidência do Supremo em setembro, em meio a uma disputa sobre a condução dos processos e a existência de referências a integrantes do tribunal.

No caso do INSS, Fachin concluiu que não existem, neste momento, elementos concretos que justifiquem a manutenção excepcional dos procedimentos sob sua responsabilidade. Com isso, Mendonça poderá retomar a análise das medidas relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura irregularidades em descontos realizados nos benefícios de aposentados e pensionistas.

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Já os procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, permanecerão provisoriamente na Presidência do STF, em razão de referências a integrantes da Corte identificadas nos relatórios policiais.

CASO MASTER PERMANECE COM FACHIN POR PRAZO LIMITADO

De acordo com a decisão, a manutenção dos procedimentos do Banco Master na Presidência terá prazo máximo de 90 dias, contados a partir de 12 de setembro de 2026.

O período não começa na data do novo despacho e poderá ser reavaliado antecipadamente caso surjam elementos relevantes para a definição da competência.

Enquanto os autos permanecerem sob sua responsabilidade, Fachin poderá examinar questões urgentes que não admitam adiamento, especialmente pedidos relacionados à necessidade de manutenção de prisões preventivas.

O ministro também poderá adotar providências destinadas à preservação dos autos e à continuidade regular da tramitação.

A medida não significa que Fachin tenha assumido definitivamente a relatoria do caso Master. A definição sobre quem deverá conduzir os procedimentos ainda depende de análise do plenário do Supremo.

PGR NÃO IDENTIFICOU ELEMENTOS SUFICIENTES DE ABUSO DE AUTORIDADE

A transferência dos processos para a Presidência ocorreu após uma representação apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes, que levantou suspeitas sobre a atuação de André Mendonça na condução das investigações.

Ao reexaminar a situação, Fachin considerou manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República), segundo a qual não foram demonstrados elementos suficientes para enquadrar a conduta de Mendonça em crime de abuso de autoridade.

A avaliação, entretanto, não encerra a análise da representação apresentada por Moraes, que permanece sujeita à deliberação do plenário.

No despacho, Fachin também diferenciou as duas investigações. Segundo o ministro, não foram identificados, no caso dos descontos previdenciários, elementos concretos que justifiquem a permanência dos procedimentos na Presidência.

Quanto ao Banco Master, as referências a autoridades submetidas à jurisdição do STF exigem esclarecimentos antes de uma definição definitiva sobre a condução dos processos.

RELATÓRIO DA POLÍCIA FEDERAL PODERÁ ALTERAR DECISÃO

Fachin solicitou à PF (Polícia Federal) um relatório detalhado sobre referências e menções a ministros do Supremo no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

O conteúdo poderá fundamentar uma nova avaliação sobre a permanência dos procedimentos na Presidência.

Outro fator que poderá alterar a situação é a conclusão do julgamento de uma questão de ordem relacionada à investigação, suspenso em setembro após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (30), a indefinição sobre a responsabilidade pelos processos havia provocado atrasos na análise de pedidos apresentados por investigados e suas defesas, incluindo solicitações de liberdade e desbloqueio de bens.

A nova decisão busca permitir o andamento das medidas urgentes enquanto o tribunal define a competência para conduzir os procedimentos.

DECISÃO AINDA SERÁ ANALISADA PELO PLENÁRIO

Fachin determinou que a medida seja submetida a referendo do plenário do STF, que também deverá discutir a competência para conduzir as investigações relacionadas ao Banco Master e a possibilidade de separação dos procedimentos.

Até a última atualização, não havia data definida para a análise.

A determinação não antecipa conclusões sobre o mérito das investigações, sobre eventual responsabilidade dos envolvidos ou sobre a competência definitiva para julgamento dos casos.

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