Dia da Poupança expõe perda de espaço da aplicação entre brasileiros
População recorre à caderneta para construir reserva financeira, mas especialistas indicam alternativas mais rentáveis
Especial para o Diário
FOTO: Magnific (Ilustrativa)

Apesar da perda de protagonismo, ela ainda é utilizada por pessoas que priorizam a praticidade e têm pouco costume com outros produtos financeiros. Elber Laranja, especialista em finanças e engenharia de crédito, avalia que a permanência da modalidade está relacionada a uma espécie de “herança cultural”, construída principalmente em períodos de hiperinflação, quando a poupança ganhou popularidade entre os brasileiros.
Para quem deseja sair da poupança sem assumir riscos elevados, o especialista aponta o Tesouro Selic e os CDBs como alternativas. “O Tesouro Selic é um título com risco soberano, é o risco do país. Há CDBs com liquidez diária. Isso significa que pode ser sacado a qualquer momento.”
Diante de alternativas mais rentáveis, a poupança atravessa gerações: enquanto parte dos mais jovens utiliza a modalidade para começar a construir uma reserva financeira, pessoas mais velhas mantêm o hábito pela familiaridade com a aplicação e pela facilidade de acesso aos recursos.
É o caso da estudante de publicidade e propaganda Mariana Faustino Faia, de 19 anos. A moradora do bairro Taboão, em Diadema, investe dinheiro desde os 16 anos. “Escolhi principalmente para custear meus estudos na faculdade e começar a construir uma estabilidade financeira desde cedo. Como recebo meu salário diretamente na poupança, meu dinheiro fica concentrado nela. Todos os meses, me organizo e determino uma quantia para utilizar nas minhas despesas e guardo o restante.”
Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança tem rendimento travado em 0,5% ao mês mais TR (Taxa Referencial), o que resulta em cerca de 7,4% a 8% ao ano. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75%.
Mesmo acompanhando os rendimentos, Mariana não pretende migrar para outra aplicação. “Como estou construindo minha reserva e tenho objetivos importantes para o futuro, prefiro manter como está.”
A mãe da estudante, a artesã Regina da Silva Faia, de 50 anos, também escolheu a modalidade, mas por razões diferentes. “Quero juntar dinheiro para comprar minha casa própria. Hoje tenho para me organizar melhor financeiramente. Costumo guardar dinheiro quando sobra no orçamento depois de pagar as contas e cobrir as despesas do mês”, destaca.
Regina admite que já considerou outras opções de investimento, mas optou pela comodidade. “Já que estou acostumada com essa forma, acho mais prático acessar o dinheiro quando preciso no dia a dia”, comenta.
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