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Dobra o número de queixas de importunação sexual contra mulheres em um ano na região

Registros sairam de 29 casos de janeiro a setembro de 2025 para 60 em 2026; Polícia pede prisão de homem flagrado se masturbando em academia

31/10/2026 | 08:30
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Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou o dobro de denúncias de importunação sexual contra mulheres em 2026. Segundo levantamento do Diário com dados do governo federal, foram 60 queixas entre janeiro e setembro deste ano, ante 29 no mesmo período do ano passado, ou seja, aumento de 108%.

São Bernardo lidera o ranking, com 16 denúncias. Na sequência, aparecem Santo André e Diadema, com 12 registros cada, São Caetano, com 10, Mauá, com sete, e Ribeirão Pires, com três. Rio Grande da Serra não contabilizou.

O crime voltou a ganhar repercurssão nacional após uma dentista de 28 anos denunciar um caso de importunação sexual após um homem, identificado como Bruno Edamatsu Berton, 35, supostamente se masturbar diante dela em uma academia no Jardim Marajoara, na Zona Sul da Capital. 

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A vítima estava fazendo exercícios e havia deixado o celular gravando vídeos para recordação. Neste momento, a filmagem flagrou Berton em ato libidinoso.

Na terça-feira (27), a Polícia Civil concluiu o inquérito policial do caso e pediu a prisão preventiva do suspeito, após depoimento, conforme explicou a SSP (Secretaria da Segurança Pública).

A advogada criminalista Nicolle Scaramuzza explicou que a importunação sexual passou a receber maior atenção do Judiciário brasileiro nos últimos anos. Até 2018, a conduta era tratada como contravenção penal, mas, com a inclusão do crime no Código Penal, passou a ser reconhecida como delito específico.

Atualmente, a prática do crime pode resultar em pena de reclusão de um a cinco anos para o infrator. “A cada ano, as vítimas têm se mobilizado mais e adquirido maior consciência sobre seus direitos. Esse movimento também contribui para ampliar a divulgação dos canais de denúncia, especialmente na internet. Apesar disso, a subnotificação ainda é significativa, pois muitas vítimas têm seus relatos deslegitimados pela sociedade. Além disso, ainda falta preparo em algumas delegacias para acolher essas denúncias, o que pode desestimular as vítimas a procurar ajuda”, afirmou.

A especialista ainda comentou que não há necessidade de tocar contra o corpo da vítima para ser configurado crime. Qualquer gesto, movimento ou atitude libidinosa pode configurar como importunação sexual.

A socióloga, professora do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e ex-secretária de Políticas para as Mulheres de Santo André, Silmara Conchão, disse que casos parecidos como o da dentista tendem a continuar acontecendo pela naturalização da invasão do corpo da mulher. 

“A importunação sexual não é um comportamento isolado. É uma expressão da desigualdade de gênero e das relações de poder que ainda marcam fortemente a nossa sociedade. A rua, que deveria ser um espaço de circulação e convivência para todas as pessoas, ainda é vivenciada com medo e necessidade de vigilância constante por mulheres”, falou.

Coragem e apoio são essenciais para denunciar

Especialistas afirmam que a coragem da vítima em denunciar e o apoio público e familiar devem caminhar juntos para que casos de importunação não aconteçam mais no futuro. 

“A denúncia é fundamental para dar visibilidade à violência, possibilitar a investigação e criar condições para responsabilização dos autores. Denunciar ajuda a romper o silêncio, porque o direito das mulheres à liberdade, à segurança e à autonomia sobre o próprio corpo não pode ser negociado”, disse a advogada, Fabiana Trovó.

Contudo, o enfrentamento aos crimes não devem ficar apenas com as vítimas. “O Estado precisa garantir canais acessíveis de atendimento, acolhimento humanizado e políticas acessíveis. Quem presencia uma situação pode ajudar a vítima acionando órgãos competentes. A omissão social contribui para o isolamento e sensação de impunidade”, complementou a especialista.

Os ônibus intermunicipais que circulam pela região, por exemplo, contam com adesivos informativos que orientam os passageiros sobre como agir e ajudar em casos de importunação sexual.




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